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VERA LÚCIA DEFENDE LEI DE RESPONSABILIDADE SOCIAL


Publicado em 05 de agosto de 2012
Por Jornal Do Dia


A candidata da Frente de Esquerda, Verá Lúcia

Chico Freire
chicofreire@jornaldodiase.com.br

Em entrevista ao Jornal do Dia, a candidata a prefeita pela Frente de Esquerda (PSTU/PCB/PSOL) Vera Lúcia mantem a sua linha de combate ao empresariado, aos grandes conglomerados, avessa à  Lei de Responsabilidade Fiscal, mas favorável à Lei de Responsabilidade Social. Ela  se refere aos ataques de João Alves Filho, candidato do DEM, ao prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) como " um sujo falando do mal lavado".

E sustenta: "Precisamos tirar o transporte coletivo da tutela dos empresários para poder oferecer um serviço de boa qualidade. Os outros candidatos não podem falar isso porque dependem economicamente dos que destroem o trânsito de Aracaju".
Na entrevista, Vera Lúcia chama de "fracasso" os 12 anos de administração PT/PCdoB. "A maioria da população, para se vingar do PT, coloca como alternativa o ex-prefeito da ditadura militar, João Alves Filho. Isso é muito ruim", avalia.

Jornal do Dia – Por que a senhora quer ser prefeita de Aracaju?
Vera Lúcia – Não se trata de um desejo ou projeto pessoal, represento um projeto político construído por três partidos de esquerda (PSTU/PSOL/PCB) e por ativistas dos movimentos sociais. Entendemos que a Prefeitura de Aracaju não representa a maioria da população da cidade. Porque a maioria do nosso povo é trabalhadora. No entanto, os atos do poder executivo, assim como os atos dos demais poderes públicos, só atendem a um número reduzido de pessoas: a classe dos grandes empresários. Nossa candidatura vai denunciar essa distorção e apresentar um projeto para que o povo trabalhador resolva, de fato, os seus problemas. Defendemos uma "Aracaju nas mãos do povo".

JD – Aracaju tem grandes gargalos, entre eles o sistema de transporte coletivo, a questão do estacionamento no centro da cidade. Como buscar reverter essa situação e atender melhor os anseios da população e do centro comercial?
Vera – As ações da Prefeitura e da Câmara Municipal privilegiam escandalosamente uma pequena minoria. Para resolver o problema da mobilidade urbana em qualquer cidade não há grandes segredos. A solução é investir em transporte coletivo de boa qualidade para desafogar o trânsito. O modelo de transporte coletivo que temos hoje privilegia três grupos empresariais e prejudica quase 600 mil pessoas. Precisamos tirar o transporte coletivo da tutela dos empresários para poder oferecer um serviço de boa qualidade. Os outros candidatos  não podem falar isso porque dependem economicamente dos que destroem o trânsito de Aracaju. Daí aparecem com idéias faraônicas, e ineficazes, que mais parecem piadas de muito mau gosto.

JD – A Prefeitura vem realizando o processo licitatório do transporte coletivo e ao mesmo tempo a Câmara já vem discutindo e aprovando emendas para o Plano Diretor. O candidato a prefeito do DEM, João Alves Filho, tem dito que, sendo eleito prefeito, vai anular a licitação do transporte coletivo e o Plano Diretor. Como a senhora vêr essas colocações do seu adversário político?
Vera – Esta licitação não representa o anseio popular. O povo quer aumento de passagem automático todos os anos, como prevê o texto da licitação? Tenho certeza que não. Isso mais parece uma jogada para manter as coisas do jeito que estão. Porém, menos claros ainda são os motivos de João ser contra a licitação. O ex-prefeito da ditadura também já administrou a cidade e nunca se preocupou em fazer licitação. Temos um nítido caso do sujo falando do mal lavado. Uma coisa é fato: com o transporte público controlado pelos empresários, o povo sai perdendo.

JD – Há um desgaste muito grande em Aracaju por parte do governo do Estado e também um desgaste por parte do prefeito Edvaldo Nogueira, onde em alguns setores existe uma rejeição muito grande. Até que ponto isso pode vir a ser favorável a sua candidatura?
Vera – Os 12 anos de administração do PT/PCdoB foram um fracasso. Só é olhar para os postos de saúde, para a situação do trânsito e da educação. Esses partidos, que hoje são a nova direita, não poderiam ter feito diferente. Sabe por quê? Porque, em nome da governabilidade, abandonaram o povo para andar lado a lado com os grandes empresários da construção civil, do transporte coletivo, da coleta de lixo.

Denunciamos isso faz tempo. Mas os trabalhadores ainda enxergavam o governo do PT/PCdoB como o seu governo. É bom que o povo, em especial, os servidores públicos, tenham começado a quebrar essa ilusão. Porém, a maioria da população, para se vingar do PT, coloca como alternativa o ex-prefeito da ditadura militar, João Alves. Isso é muito ruim. A nossa candidatura tem a vantagem de ser a única de esquerda. Mas o desafio é muito grande. Queremos convencer a população de que temos que derrotar a nova direta, mas não podemos voltar para o passado oligárquico.

JD – Uma das grandes reclamações da população tem sido com a lentidão da conclusão das obras. O que fazer para que esse gargalo tenha um andamento normal?
Vera – Uma de nossas propostas de governo é a construção de uma empresa pública de construção civil pesada. Assim o povo deixa de ser refém das grandes construtoras para a execução das obras. Com essa medida resolvemos não só o problema da lentidão, mas atacaremos a falta de emprego. Podemos gerar milhares de novos postos de trabalho com um grande plano de obras públicas para a construção de casas populares, escolas, creches, postos de saúde e obras de saneamento.
 
JD – A Zona de Expansão de Aracaju será um dos grandes desafios para as próximas administrações. Quais são os planos da senhora para aquela região que vem crescendo de forma desordenada?
Vera – Nosso programa de governo assume o compromisso de combater a especulação imobiliária. O ordenamento do espaço urbano deve ser orientado pelos interesses populares. Nesse sentido, defendemos o aumento da delimitação de áreas de interesse social e áreas de interesse ambiental, inclusive na zona de expansão sul e na região do Jabotiana. Combater a especulação imobiliária é garantir condições para a construção de um plano de habitação estruturado e garantir a preservação ambiental e infraestrutura: posto de saúde, escola, creche e transporte público.

JD – Como na sua administração caso venha ser eleita prefeita vai ser tratada a saúde do município que tem sido alvo de criticas?
Vera – Como deve ser tratada: valorizando o servidor, acabando com a terceirização, incorporando os trabalhadores terceirizados ao quadro de efetivos, ampliando o acesso da população ao serviço, e pautando um modelo diferente do que é hoje implantado, focado no tratamento da doença. Queremos um modelo baseado na saúde preventiva. Para isso, temos que resolver o sério problema do financiamento do setor. O investimento já não é suficiente e, para piorar, ainda é desviado para a iniciativa privada através dos convênios. Nenhum centavo público para a rede particular.

JD – Como a senhora avalia as acusações que são feitas pelo candidato Almeida Lima, de que se busca fazer negociatas no processo eleitoral?
Vera – O deputado é a prova viva disso. Até os 45 do segundo tempo, morria de amores pelos Amorim. Depois que eles resolveram apoiar João, o amor acabou rapidinho. Agora eu pergunto: esse cortejo todo, da parte de todos os outros candidatos, aos Amorim, que, segundo o próprio Déda, tem como projeto político um talão de cheques, é para beneficiar o povo pobre que vive no Santa Maria, no Coqueiral? Todos sabem a resposta.  

JD – Em outras campanhas a senhora sempre se apresentou avessa às regras impostas pelo governo federal, a exemplo a LRF. Mantém as mesmas posições?
Vera – O caráter retrógrado da lei não mudou. Portanto também não mudamos de posição. Somos contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que só funciona para negar aumento salarial aos servidores. Defendemos uma lei de responsabilidade social, que obrigue o Estado, nas três esferas, a cumprir com a obrigação de oferecer os serviços básicos constitucionais à população.  

JD – O Poder Público está inchado com trabalhadores terceirizados. Sendo eleita prefeita a senhora vai acabar com os terceirizados?
Vera – Vamos acabar com a terceirização sem penalizar os trabalhadores. Vamos incorporá-los ao quadro de efetivos através do concurso público. Vamos também acabar com os Cargos Comissionados. Não haverá privilegiados. Todos os servidores serão tratados de forma igualitária.

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