O vereador de Poço Verde, Ricardo Henrique Nogueira de Oliveira, o Galego (PSC), está a apenas uma sessão da possibilidade de perder o mandato por abandono injustificável das atividades parlamentares na Câmara Municipal.
Desde o dia 27 de julho ele é considerado foragido da polícia de Sergipe, pela qual é acusado de ser um provedor de bananas de dinamites para quadrilhas de assaltantes que explodiam caixas eletrônicos de bancos nos municípios sergipanos.
A acusação contra Ricardo Henrique Nogueira de Oliveira pegou o povo e a classe política de Poço Verde de surpresa. Hoje ele é o assunto mais comentado da cidade. "Para mim, isso é uma tristeza, porque o vereador é o último representante do povo no Poder Legislativo e agora surge este problema que suja a imagem da gente", diz Jaci Silvino, vereador em terceiro mandato e correligionário de Galego no PSC.
Apesar de pertencer a uma mesma matriz política, Jaci Silvino não atenua o caso de Galego e admite que, se dependesse isoladamente da sua pessoa como vereador, já teria lhe cassado o mandato.
"Eu vejo a situação dele como muito complicada. Se dependesse de mim, ele já teria voado da Câmara. Eu não aprecio e nem gosto deste tipo de coisa", diz Jaci. O Diretório Municipal do PSC já o expulsou.
De olho nos ritos – O presidente da Câmara Municipal de Poço Verde, Pedro de João Rodrigues, PSD, também se sente angustiado com a situação que, segundo ele, degradou a imagem do Legislativo, mas, como uma espécie de magistrado, prefere respeitar os ritos do processo.
Pedro informa, no entanto, que à luz do Regimento Interno da Câmara, Galego está com os dias de mandato contados. "Para caracterizar a perda de mandato, basta que ele perca cinco sessões consecutivas e sem justificativas", diz o presidente.
"E nesse segundo semestre, ele já perdeu quatro. A última, que lhe garantirá as cinco consecutivas, será a da próxima segunda-feira, dia 17. Isso acontecendo, o nosso Regimento Interno determina que ele perde o mandato automaticamente pela falta de frequência sem justificar. Ele já perdeu, agora em agosto, as sessões dos dias 3, 4, 10 e 11. Faltando a próxima, dia 17, automaticamente, perde o mandato por não ter cumprido o dever de parlamentar", diz Pedro.
Degradação – Jaci acha que o processo contra Galego já poderia ter avançado mais. Num ponto de vista, os vereadores Jaci e Pedro de João Rodrigues estão de acordo: desde o episódio envolvendo Galego, o Legislativo tem sentido a pancada na imagem.
"Hoje o Poder Legislativo de Poço Verde está fragilizado por causa desta situação. Eu tenho observado que alguns colegas vereadores, ao colocarem nas redes sociais o conteúdo de indicações que fazem ao Executivo Municipal, como uma espécie de prestação de contas, são maltratados. São alvos de algumas hostilidades. Antes não era assim", diz Pedro.
"Está uma coisa triste. Estou no meu terceiro mandato e nunca tinha visto algo parecido com isso até hoje. Ele (o Galego) partiu para um meio ruim: o homem é acusado de comprar carro roubado e de vender dinamite – é o que dizem, eu não posso provar nada, porque não vi. Mas estamos aguardando aí a Justiça julgar para ver o que se faz. Estou aguardando. Tenho que ver minhas lideranças primeiro, que eu considero muito, como o próprio Everaldo e Iggor Oliveira, para a gente se entender. Eu vou entrar em contato com eles sobre o que a gente vai fazer", diz Jaci.
Antes dessas acusações de traficar bananas de dinamite, que fizeram com Galego se tornasse um fugitivo, ele já foi preso por receptação de carro roubado. Na época, usou a tribuna da Câmara de Poço Verde para se defender. Agora, não. Entre um episódio e outro, Galego pediu licença do mandato nos meses de março e abril.
"Ele baseou-se apenas na lei que ampara qualquer parlamentar desta Casa, que lhes garante a licença sem remuneração, para tratar de assuntos pessoais. E, como é assunto pessoal, não compete à Câmara saber de que se trata. Nem no solicitante precisa dizer", diz Pedro de João Rodrigues.
Galego voltou ao mandato em 1º de maio, e logo caiu nas garras da polícia. A Câmara diz não ter qualquer referencial de onde ele possa estar.


