Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
O vigilante Jeverson Marcos Freire de Paiva, 39 anos, foi assassinado às 21h de domingo por três homens armados que roubaram as armas dele e de outros dois vigilantes que trabalhavam com a vítima na empresa ESV. O crime aconteceu na guarita da sede da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), no Centro Administrativo, bairro Capucho (zona oeste de Aracaju). Segundo a polícia, os bandidos chegaram encapuzados ao local e surpreenderam os vigias, fazendo vários disparos. Além de Jeverson, atingido enquanto tentava se proteger no banheiro, os criminosos balearam o vigilante Ronaldo dos Santos, que foi internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).
Os bandidos também assaltaram um vigilante da empresa Sacel que trabalhava na segurança do parque de transmissores da Fundação Aperipê, situado ao lado da Emdagro. Ele foi tomado como refém e levado para a guarita da repartição, onde aconteceu o ataque. Ao todo, foram roubados cinco revólveres calibre 38, oito coletes balísticos, um radiocomunicador e uma motoneta Bull que pertencia a Jeverson. O crime é investigado pelo Departamento de Homicídios da Polícia Civil, que admite ter encontrado dificuldades no início da apuração. "No local não há câmeras de segurança e a região é muito escura, o que dificulta ainda mais a identificação dos suspeitos", disse o delegado Mário de Carvalho Leony.
Segundo a polícia, os criminosos teriam chegado ao Centro Administrativo em um carro e o estacionaram em um local deserto e escuro, antes de executar o assalto. O primeiro local visitado foi a Emdagro, onde os criminosos chegaram dando vários tiros e renderam os dois vigias da ESV que estavam fazendo uma ronda nos fundos da repartição. Ronaldo foi o primeiro a ser atingido, com um tiro em cada perna. Jeverson, que tomava café na guarita e não usava colete à prova de balas, se armou e tentou abrir fogo contra os ladrões, mas um deles acertou um tiro no peito da vítima e chegou a dar-lhe uma coronhada na cabeça. O funcionário caiu morto na porta do banheiro. Enquanto os criminosos tomavam as armas dos vigilantes feridos e vasculhavam a guarita, eles agrediam o terceiro segurança com socos, chutes e coronhadas.
Depois de um tempo, um dos bandidos foi até o transmissor da Aperipê, onde rendeu o funcionário da Sacel que havia sido atraído ao portão pelo barulho dos tiros. O quarto assaltado foi obrigado a abrir o portão e seguir com o bandido até a Emdagro, onde estavam as outras três vítimas. Os criminosos escaparam com a moto de Jeverson e teriam ido buscar o carro que haviam estacionado perto dali. A Polícia Militar foi chamada pelos vigilantes e fez buscas pela região do Centro Administrativo, mas não localizou os suspeitos. Ronaldo e a outra vítima foram levados para o Huse e medicados, estando os mesmos fora de perigo.
O corpo de Jeverson foi velado ontem de manhã em sua residência no Cj. Marcos Freire, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), e enterrado à tarde no Cemitério São Benedito, na zona norte da capital.
Durante o velório, familiares e colegas da vítima afirmaram que ele reclamava nos últimos dias dos riscos que corria no local de trabalho, que não tem iluminação à noite, é de difícil acesso e completamente deserto. "Ele pedia várias vezes à empresa pra mudar de setor, porque sabia que ali não era um lugar bom, e já foi assaltado outras vezes. Ele tinha medo que acontecesse algo pior, e já sentia que isso podia acontecer", lamenta a tia do vigilante, Lindinalva Bastos.
Uma das hipóteses é de que os criminosos teriam entrado na Emdagro por uma área lateral da sede, cuja cerca está derrubada há quase um mês, depois de a vegetação do terreno ser destruída por um grande incêndio. Segundo o assessor da empresa, Carlos Mariz, a queda da cerca foi causada pela queda dos troncos das árvores queimadas e que o conserto da cerca já tinha sido pedido à Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), mas não foi feito.


