Kátia Azevedo
Vigilantes contratados pelo Grupo Rima, que oferece serviço terceirizado de segurança para a Universidade Federal de Sergipe (UFS), protestaram na manhã de ontem contra o atraso de mais de 15 dias nos pagamentos dos salários, além da falta de condições de trabalho e outros direitos trabalhistas que estão sendo negados pela empresa pernambucana.
A categoria paralisou as atividades desde sábado, 15. De acordo com a direção do Sindicato dos Vigilantes do Estado de Sergipe (Sindivigilante/SE), as condições de trabalho na universidade são mínimas. Todos os vigilantes do estado que estiverem de folga foram convocados para participar da manifestação, que teve como objetivo chamar a atenção da direção da empresa e da UFS para busca de uma solução.
O ato contou também com a presença da direção do sindicato que representa os trabalhadores da UFS. A manifestação foi iniciada por volta das 6h. Pneus foram queimados, bloqueando a principal via de acesso ao Campus São Cristóvão. O ato público obstruiu o tráfego no local e gerou muita reclamação de motoristas e usuários de transporte coletivo.
"Mesmo sem condições de trabalho nos esforçamos para garantir a segurança no campus da universidade. Entretanto, a empresa não vem demonstrando compromisso com os vigilantes e deixa os trabalhadores sem condições de pagar seus alugueis, passando necessidade", protesta Reginaldo Gonçalves, presidente do Sindivigilante/SE.
O protesto foi temporariamente interrompido ainda pela manhã após o grupo ser recebido pela reitoria da UFS, que garantiu uma resposta sobre o problema através de uma intermediação com a empresa. "Queremos a garantia de que os 30 vigilantes envolvidos na manifestação não sejam demitidos. Por esta razão tivemos uma reunião com a reitoria da universidade para que converse com a empresa com o objetivo de preservar o emprego desses trabalhadores", informou Lucas Gama, do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Sergipe (Sintufs), que apoia a mobilização.
Os trabalhadores também realizaram protesto em frente à Empresa Rima. Lucas Gama ressaltou que as condições de trabalho dos vigilantes da UFS são preocupantes.
"Os trabalhadores estão submetidos a uma série de irregularidades, a exemplo de constantes atrasos salariais, falta de equipamentos de proteção e sem terem acesso aos encargos sociais, que não vêm sendo cumpridos pela empresa. Muitos trabalham sem colete à prova de balas, com coturnos rasgados. Eles também enfrentam o problema de acúmulo de funções como porteiros e de recepcionistas. Em audiência com a reitoria da UFS, fomos informados que a universidade está repassando o pagamento à Rima, mas esta não paga aos vigilantes. São cerca de 200 trabalhadores nesta situação", alerta.
Lucas Gama ressalta que o atraso nos repasses de encargos sociais implica no impedimento da empresa manter os contratos com entidades públicas. O presidente do Sintufs denunciou também que os recorrentes atrasos de salários são um reflexo da terceirização do serviço. "É uma forma de sucatear a mão de obra e precarizar o serviço", define.
Sobre o atraso salarial, Lucas Gama salientou que a Rima já deixou de pagar aos vigilantes por um período de quase um mês.
A assessoria de comunicação da UFS divulgou uma nota sobre o assunto, informando que o reitor em exercício da UFS, Jonatas Menezes, e pró-reitores da instituição receberam representantes do sindicato dos vigilantes, o deputado estadual Capitão Samuel, e o presidente do Sintufs para tratar das reivindicações dos vigilantes que fecharam a entrada da Cidade Universitária em São Cristóvão.
Também foi informado que a UFS convocou o representante da empresa que justificou que o pagamento dos salários e dos vales-refeições já havia sido efetuado na segunda-feira, 17. "A empresa disse ter comprovantes de que os fardamentos (coturnos e coletes) são entregues, mediante assinatura do vigilante, em estado de novo. Afirmou também que já estão agendadas novas turmas, para março e abril, do treinamento periódico que os trabalhadores precisam receber".
A universidade também divulgou que para a empresa, a manifestação se deu porque 14 funcionários que, em protesto, faltaram ao último plantão acreditavam que seriam desligados do serviço. "O representante afirma que não houve retaliação por parte da empresa, que enviou novos funcionários ao plantão apenas para que não houvesse descontinuidade no serviço".
A Universidade informa ainda que não conseguiu realizar o pagamento das últimas duas faturas à empresa porque esta não regularizou seu cadastro no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), condição para todos que prestam serviços a entidades do poder executivo federal.


