Cleverton Ribeiro
Servidores públicos da Secretaria de Estado da Educação (Seed) invadiram na tarde de ontem as instalações próximas ao gabinete do secretário Jorge Carvalho do Nascimento. Sem diálogo junto aos gestores da secretaria, a categoria garante resistência e pretende permanecer acampada no local até amanhã. Por determinação superior, funcionários terceirizados que acompanharam de longe a invasão dos manifestantes foram obrigados a desligar a rede de ar-condicionado, seguido dos serviços de telefonia, internet e televisores. Para os ocupantes, esta medida transparece uma possível falta de interesse da atual gestão em debater pleitos como o não repasse de unidades escolares estaduais do Ensino Fundamental aos municípios, e melhorias nas condições de trabalho.
Por volta das 14h30 o grupo de manifestantes aguardava com ansiedade a possível presença do secretário para que estes pleitos apresentados na manhã da última terça-feira, 24, voltassem a ser debatidos entre os técnicos e a direção da Seed. Apoiando a causa, agentes de vigilância das escolas estaduais também estiveram no ato público e reivindicavam melhorias imediatas na segurança escolar. Ao serem informados que Jorge Carvalho deveria não aparecer mais na secretaria, os profissionais decidiram colocar em prática a ideia de acampar nas dependências da Seed, e assim seguir até que o diálogo seja devidamente promovido.
Na avaliação do trabalhador Fabrício dos Santos, as medidas de mudança apresentadas pelo secretário podem resultar em retrocesso da educação pública. Desta forma, milhares de professores, técnicos e alunos serão prejudicados. "Se chegamos ao ponto de entrar aqui na secretaria e ficarmos acampados, é porque o atual momento não é interessante para os trabalhadores, muito menos para o alunado. Como não poderia ser diferente, nós estamos recebendo o apoio de estudantes e pais que estão preocupados com essa mudança absurda. O pior é que o secretário diz que vai se reunir com as categorias e nem aparece aqui para remarcar a reunião. Estamos aglomerados por amor a nossa profissão e na luta por um futuro melhor para as nossas crianças e adolescentes que estão frequentando as escolas", disse.
Osmanifestantes avaliaram a ação de vândalos que atearam fogo no carro de uma professora como diagnóstico negativo da atual situação das escolas estaduais. O fato aconteceu enquanto a vítima participava de reunião no Colégio Estadual Professor Antonio Fontes Freitas, conjunto Marcos Freire I, no município de Nossa Senhora do Socorro. "Esse foi um dos casos que chamou a atenção da população e de vocês da imprensa, mas há muitos anos, bem antes daquela tentativa de homicídio a um professor lá em São Cristóvão, a gente sofre com os problemas. Quando digo ‘a gente’, generalizo: técnicos, vigilantes, professores e alunos", afirmou o servidor Luiz Augusto dos Santos, que concluiu dizendo: "só queremos nos reunir com o secretário e contribuir com o progresso do nosso estado".


