VIGILANTES PROTESTAM E PEDEM SEGURANÇA

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Na manhã de ontem foi realizada em Aracaju uma manifestação por parte do Sindicato dos Vigilantes do Estado de Sergipe com o objetivo de cobrar do poder público, e empresários, melhores condições de trabalho e reajuste salarial para a categoria. Com um ‘buzinaço’, os manifestantes ocuparam parte das principais ruas e avenidas do centro da capital também a fim de pedir justiça contra os criminosos que assassinaram no final da semana passada o vigilante da Emdagro, Jeverson Freitas. Com o fluxo de veículos prejudicado, agentes da Superintendência de Transporte e Trânsito (SMTT) tiveram que ser acionados.

Para o presidente do sindicato, Willian Mota, a manifestação pública foi a última instância adotada pelos vigilantes para que as pautas sejam atendidas. De acordo com ele, o problema causado no trânsito é reflexo da indignação que a categoria vem passando. "Nós também somos motoristas e ficamos chateados com esses congestionamentos, mas por diversas vezes cobramos melhorias e ninguém nos deu atenção. Com essa caminhada esperamos que o resultado seja positivo", declarou. Tendo como princípio da caminhada o bairro Siqueira Campos, a mobilização seguiu até os calçados das Laranjeiras e João Pessoa.

Ainda dentro das reivindicações, os vigilantes cobravam que o setor patronal cumpra a Lei nº 12.740, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, na qual determina o repasse de 30% acima do salário referentes à periculosidade da função profissional. Contrariado com a antiga direção do sindicato, Mota disse que a meta a partir de agora é trabalhar em tempo integral para que os direitos dos trabalhadores sejam repassados. "Estamos cansados de ser enganados e pisoteados pelos patrões. O momento é de tristeza, mas garanto que agora o sindicato está nas mãos dos trabalhadores. A batalha é grande, mas vamos vencer com a força de todos. Quem agora comanda esse sindicato é o povo", pontuou.

Revolta – Participando da caminhada, familiares de Jeverson Freitas não escondiam a tristeza em torno da morte do vigilante, e imploram para que os desejos da categoria sejam atendidos. O pedido serve para evitar que outros profissionais se tornem alvo dos marginais. Com uma voz trêmula e chorando a cada passo dado na caminhada, a irmã, Paulina Freitas, disse que Jeverson já pretendia deixar o serviço de vigilante de lado. "Há mais de um ano ele vinha se queixando do medo em atuar na profissão e que já havia planos de trabalhar em outra coisa, mas infelizmente não deu tempo e perdemos um parente exemplo de honestidade e afeto familiar", lamentou.

Em estado de choque, os pais da vítima não conseguem sair de casa e conclamam por justiça. Para Paulina, a prisão dos criminosos não permite a volta do irmão, mas ao menos preenche o desejo de condenação judicial. "Sabemos que ele não volta mais, mas queremos esses bandidos presos porque eles podem matar outros vigilantes. Pedimos aos órgãos públicos e privados que revejam os conceitos e atendam aos pedidos do sindicato para que outras famílias não passem pela mesma situação que estamos sendo obrigados a enfrentar", concluiu.

Compartilhe esta notícia