Pelo terceiro ano consecutivo, a capital sergipana volta a figurar no ranking das 50 cidades e regiões metropolitanas mais violentas do mundo, conforme o levantamento realizado anualmente pela ONG mexicana Seguridad, Justicia y Paz (Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal), sediada na Cidade do México. A lista divulgada nesta segunda-feira mostrou que a Grande Aracaju é a 38ª área urbana com maior número de homicídios, com uma taxa de 37,70 homicídios por 100 mil habitantes. De acordo com a entidade, 349 assassinatos aconteceram ao longo de 2015 em Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, cujas populações somam o total estimado de 925.744 habitantes.
No primeiro levantamento, divulgado em março de 2014, com base nas estatísticas de 2013, a média alcançada foi de 33,36 crimes por 100 mil habitantes, o que deixou Aracaju em 46º lugar na lista da ONG. Já no segundo, em fevereiro de 2015, a capital saltou para a 39ª posição, com taxa de 34,19 mortes violentas. A lista deste ano traz outras 20 cidades brasileiras na lista das mais violentas e, entre elas, Aracaju ficou acima de Campina Grande (PB), Campos dos Goytacazes (RJ), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Macapá (AP). Já entre as capitais nordestinas, a de Sergipe foi a última da lista – a primeira foi Fortaleza (CE), 12ª mais violenta do mundo, com taxa de 60,77 homicídios.
Os dados foram divulgados em um documento no qual o Conselho explica a metodologia e as fontes da pesquisa. No caso de Aracaju, os pesquisadores dizem que recorreram a fontes alternativas, como dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de reportagens publicadas diariamente pela imprensa local. O JORNAL DO DIA teve acesso a íntegra do documento, em espanhol, e viu que o texto critica diretamente a Secretaria da Segurança Pública (SSP), por não ter divulgado sua estatística até a conclusão do relatório, em 17 de janeiro, "com exceção de algumas comunicações sem números desagregados", e teve seu site classificado como "inacessível".
"Ao contrário dos governos de outros estados brasileiros, que se ocupam em divulgar as taxas de criminalidade, o governo de Sergipe é um exemplo infeliz de falta de transparência e prestação de contas", conclui a Seguridad. Ela considerou ainda que as taxas de homicídio cresceram muito em todo o Estado, principalmente em 2014, quando aconteceram 999 homicídios. "[Este número,] 13,52% maior do que o índice de 2013 e 71,65% maior do que em 2009, revela uma clara tendência de alta nos últimos cinco anos", diz o documento mexicano.
SSP – A lista da Seguridad foi "totalmente contestada" pela SSP sergipana, que promete questionar a sua metodologia. Segundo o porta-voz Renato Nogueira, o número total e oficial de homicídios ainda está sendo reavaliado pelo Centro de Estatística e Análise Criminal (Ceacrim). A divulgação está prevista para acontecer nos próximos dias, até o início de fevereiro. "A Secretaria não tem nem sequer o número de homicídios de 2015 fechados, por isso não divulgou-os a ninguém, nem ao Ministério da Justiça e muito menos a esta ONG. Consideramos que o estudo é frágil, desprovido de consistência ou metodologia científica apropriada para medir tais dados", rebateu Nogueira, destacando que o governo de Sergipe "sempre foi transparente" quanto aos seus números de criminalidade. (Gabriel Damásio)


