Milton Alves Júnior
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Este ano chegou ao fim a tradicional festividade junina da Rua São João, no bairro Santo Antônio, em Aracaju. De forma precoce toda a programação foi suspensa devido à falta de segurança que resultou na morte de um forrozeiro na noite da última quarta-feira, 03. Conforme relatos de moradores que acompanhavam a festa, por volta das 22h vários tiros foram disparados contra o público que assistia a apresentação de quadrilhas juninas. Receosa quanto à possibilidade de registrar novas tragédias, a Prefeitura de Aracaju, que coordena a festa, preferiu suspender as apresentações.
Em estado crítico de saúde, outras duas pessoas seguem internadas no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e não possuem previsão de alta médica. Outras duas pessoas também foram atingidas pelos projeteis, mas foram atendidas no mesmo local por profissionais do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e foram liberadas logo em seguida. De acordo com o Centro Social da Rua São João, o pedido de segurança ostensiva por parte da Polícia Militar de Sergipe foi feito no dia 12 de maio, mas a demanda não foi atendida devido os organizadores não terem respeitado o período para estes pleitos que é de, no mínimo, 30 dias úteis de antecedência.
Lamentando o ocorrido, José Ronaldo Alves, porta voz do Centro Social, alega que o cancelamento da festa foi necessário por não contar com um contingente essencial de militares para a realização da festividade junina. Triste com o ocorrido e preocupado com uma possível queda na reputação histórica da festa, ele garante que este foi o primeiro caso trágico ocorrido em mais de 50 anos. "A gente que tanto espera o ano todo pra participar da festa e ver as pessoas ficarem felizes com o arraial, infelizmente não temos outra sensação a descrever que não seja a tristeza. Nosso São João foi comprometido pela falta de segurança que não foi atendida por problemas na solicitação", detalha.
Em meio à crise econômica que visivelmente afeta a indústria e o povo brasileiro, a não realização de uma festa tão tradicional quanto a Rua São João deve refletir negativamente no bolso daqueles ambulantes que por mais de 30 dias já vinham se programando para realizar vendas neste período e ampliar a renda mensal da família. Entre os vendedores que criticam a organização do arraial está a doméstica Lucinete Sampaio, que desde 2010 revende bebidas na região. Apesar de abalada com o prejuízo que tende a contabilizar, ela disse entender a situação.
Lucinete adquiriu 40 caixas de cerveja em lata, 25 de refrigerante e 30 de água mineral. "É triste saber que não vamos ter forró esse ano porque a prefeitura ou seja lá quem foi não se preocupou em buscar a polícia com antecedência. Vou tentar vender o meu estoque agora no Forró Caju, mas não acredito em milagres. Esse ano vou ficar no vermelho, mas é melhor do que continuar na Rua São João e morrer", disse. A festa estava programada para ocorrer até o próximo dia 12. A Prefeitura de Aracaju, por sua vez, não emitiu nenhuma nota oficial relatando a tragédia. Para tristeza coletiva, diante da falta de organização profissional este ano ainda não se fala em possível organização para o arraial em junho de 2016.


