Milton Alves Júnior
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Comerciantes e moradores do Centro de Aracaju voltaram a reclamar de uma possível desordem pública promovida diariamente por integrantes do Movimento Organizado de Trabalhadores Urbanos (Motu) que há mais de cinco meses invadiram um prédio abandonado localizado na esquina da rua Capela com a praça Olímpio Campos. Sem possuir energia elétrica e saneamento básico, populares afirmam que os ocupantes fazem as respectivas necessidades fisiológicas em sacolas plásticas e arremessam das janelas. Diante dessa situação, os denunciantes reivindicam uma ação rápida e eficaz por parte dos gestores públicos, em especial, por parte da Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Ação Social.
De acordo com o lojista Raffael Pereira, o mau cheiro exalado pelas sacolas já começam a prejudicar as vendas na localidade. Há exatos dois meses, quando o fato começou a ser registrado, um grupo de microempresários buscou a direção do Motu e anunciou a recorrência do problema. Segundo ele, até o momento nenhuma melhoria foi promovida. "É fato, se todos nós necessitamos fazer essas necessidades, em algum lugar devemos depositar. Como não tem rede de água encanada, eles começaram a jogar essas sacolas nos telhados e quintais, e essa atitude já começa a nos prejudicar financeiramente", disse.
Questionado sobre as possíveis soluções para o caso, o comerciante concluiu dizendo: "Eles – os ocupantes – já disseram que só devem deixar o espaço caso o prefeito repasse casas populares em qualquer que seja o local na cidade. Estamos dependendo disso. Se não tem casa, então que façam um cadastro e concedam auxílio moradia".
Além de uma intervenção por parte da administração municipal, os populares também reivindicam que o Ministério Público Estadual (MPE) notifique o proprietário do imóvel. De acordo com informações apresentadas pela Defesa Civil do município, as atuais condições estruturais do prédio são precárias e cerca de 100 famílias ocupam o espaço.
Segundo a representante das famílias, Cristiane de Jesus, a ocupação foi promovida após o início do período chuvoso. "Além da gente não ter pra onde ir, as famílias estavam morando nas praças e calçadas, e sem nenhum lugar para proteger as crianças e idosos. Sobre esses problemas com as sacolas plásticas ainda não fomos notificados oficialmente sobre essas queixas", afirma.
Segundo informações da Prefeitura de Aracaju, todas as famílias que ocupam o imóvel, como também as da invasão no Bairro 17 de Março, estão sendo cadastradas. O objetivo desse processo é repassar casas populares que serão construídas pela administração pública, ou para que sejam legalmente repassados os auxílios moradias que custam em média R$ 350.


