Rian Santos
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O ex-prefeito Edvaldo Nogueira vem atacando a zabumba fora de compasso. Em disputa pelo comando da Prefeitura de Aracaju, o "comunista" vem promovendo uma revisão nada imparcial dos próprios feitos à frente da capital sergipana, ao longo de dois mandatos. Se, em termos gerais, a comparação com a gestão em curso, do prefeito João Alves Filho, favorece as pretensões de poder anunciadas aos quatro ventos, no que diz respeito à gestão da sensibilidade nativa o saldo é bem mais apertado.
Não adianta lamentar a ausência das atrações de sempre no Forró Caju 2016, como o pré-candidato do PC do B vem fazendo em campanha nas redes sociais. O buraco é mais embaixo. As estrelas que todo ano lavavam a jega às custas da tradição não fazem nenhuma falta. No palco do Forró Caju, Zé Ramalho, por exemplo, não passa de animal adestrado. Mais oportuno seria se aprofundar nas implicações mediando as relações entre cultura, gestão pública e criação de mercado. Mas, para tal debate, nem Edvaldo, nem qualquer outro prefeito já eleito em Aracaju, estaria qualificado.
O entusiasmo reiterado pelos pracatuns do empresário Fabiano Oliveira não deixa ninguém mentir. A privatização do Forró Caju e a exploração comercial da festa promovida pelo poder público municipal é fruto da mesma lógica vigente enquanto Déda e Edvaldo Nogueira estiveram entronados sobre os destinos dos sergipanos. Telhado de vidro. Santo de barro.
O conluio com empresários do ramo artístico, verdadeiros beneficiados pelo calendário de eventos promovidos pelo poder público em Sergipe, não responde a orientação ideológica. Forçoso lembrar, por exemplo, as declarações do governador Jackson Barreto advertindo que a extinção do Pré Caju não se deveu ao clamor popular, nem às condenações por uso indevido de dinheiro público. Não foi em função da violência urbanística em desfavor da cidade. Segundo Jackson Barreto, o fim do Pré Caju foi apenas mais um entre os efeitos perversos provocados pela crise. Um escracho.


