ZECA BALEIrO ABRE HOJE VERÃO SERGIPE

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Começa nessa sexta-feira, 1º, e segue até sábado, 2, a sexta edição do Verão Sergipe. Heitor Mendonça, Zeca Baleiro, Coutto Orchestra de Cabeça, Plástico Lunar, Gilberto Gil, Ato Libertário e os DJs Kaska e Budah Moderno animarão um público estimado em 40 mil pessoas por noite.

A tenda armada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult) foi bordada com capricho – o line-up do festival poupou os sarcófagos dos anos 80 e a seleção das atrações locais não poderia se dar de maneira mais democrática. No entanto, os acertos estão longe de tapar o sol com a peneira. Embora a programação tenha privilegiado o artista local, muita gente boa ficou de fora. A conclusão é lógica: Um único palco não é suficiente para dar conta dos tambores da aldeia.

Em conversa motivada pelo evento, a secretária Eloísa Galdino se mostrou ciente das demandas da música sergipana. A secretária garante que a implantação de políticas públicas voltadas para a cultura está em curso e se diz uma militante da cena.

Jornal do Dia – A programação desse ano é a mais enxuta de todas as edições do Verão Sergipe, não é mesmo?

Eloísa Galdino – Sim. Costumamos organizar o Verão Sergipe de forma intensa a partir do término dos festejos juninos, mas, em 2012, o núcleo financeiro do Governo de Sergipe estava envolvido em questões prioritárias para aquele momento, como a aprovação do Proinveste – que contempla ações na área da Cultura -, e o pagamento do décimo terceiro salário dos servidores públicos. Além disso, o contexto também dificultou muito a captação de patrocínios, muito importantes para a realização do evento. Essas e outras questões adiaram a decisão sobre a realização do Verão Sergipe e precisamos elaborar uma programação menor, mas de muita qualidade, com nomes consagrados da música como Zeca Baleiro e Gilberto Gil, além de quatro representantes da nossa cena musical, como Coutto Orchestra, Heitor Mendonça, Plástico Lunar e Ato Libertário, que dividirão o palco com Zeca e Gil após serem escolhidos através de uma seleção democrática que contou com a participação de uma curadoria formada por nomes acordados previamente com o próprio Fórum Sergipe de Música.

Jornal do Dia – Os grandes eventos (Verão Sergipe e Forró Caju) concentram o grosso do investimento realizado pelo Governo do Estado na cadeia produtiva da música local. Isso pra não mencionar o aporte do aparelho estatal na prévia carnavalesca do empresário Fabiano Oliveira. Em que medida a lógica por trás desse tipo de investimento leva em consideração as demandas dos músicos sergipanos? Por que investir tanto nesses poucos eventos?

Eloísa Galdino – Bom, em primeiro lugar é importante esclarecer que o Governo de Sergipe não realiza o Forró Caju, que é promovido pela Prefeitura de Aracaju, nem o Pré-Caju, organizado pela Associação Sergipana de Blocos e Trios. Nesses casos, a Secretaria de Estado da Cultura não tem participação alguma, o Governo entra com apoio logístico através de outros órgãos.

Quanto ao Verão Sergipe, trata-se de um evento que privilegia os artistas sergipanos em sua programação musical, já que eles sempre são maioria. Esse ano, por exemplo, teremos quatro artistas do nosso Estado, um baiano (Gilberto Gil) e um maranhense (Zeca Baleiro).

A Secretaria da Cultura investe na política de editais e a cena da música foi contemplada desde o início dessa nova política cultural, mas também acreditamos ser importante que nossos músicos possam se apresentar num evento de grande porte como é o Verão Sergipe, e interagir com nomes nacionais, até porque estamos de interação entre as várias vertentes da música produzida no Brasil, da qual a sergipana também faz parte.

Ademais, um olhar atento a outros eventos realizado pela Secult vai mostrar como privilegiamos o artista sergipano. O Arraiá do Povo é feito com uma programação 100% formada por trios e forrozeiros do nosso estado. Temos, inclusive, um edital de novas composições de forró que privilegia os artistas sergipanos. Em parceria com a Fundação Aperipê e com o próprio Fórum Sergipe de Música nós já lançamos duas coletâneas: O "Sergipe’s Finest – Music from Sergipe" e "Music from Sergipe – The Music of Brazilian’s Smallest State". Acredito que essas ações dizem muito sobre o trabalho que o governo realiza na Secult.
 
Jornal do Dia – O que ainda falta para a efetiva implantação de políticas públicas voltadas para a Cultura? Admitir que elas estejam em curso não seria o mesmo que apontar a ingratidão da classe, sempre disposta ao alarde dos próprios anseios?
 
Eloísa Galdino – Não acredito nessa relação, até porque percebemos que a maior parte daqueles que compõem a cena cultural do nosso Estado entende que essa política cultural já está em curso, mas, como isso é algo recente, afinal, esse novo projeto foi iniciado em 2009 com a nossa chegada à Secut e, numa pasta com limitações financeiras, as coisas não acontecem do dia para a noite.

A classe artística está certa em manter-se firme em seus pleitos ainda não atendidos, mas é injusto afirmar que ainda não há políticas públicas voltadas para a área porque elas já começaram e as várias seleções públicas através de editais que promovemos nesse período é o principal símbolo disso. Eu posso sair da Secult amanhã e vou sair com a cabeça erguida sabendo que produzi mudanças na área, inovações que marcam o propósito da própria chegada de Marcelo Déda ao Governo do Estado: mudança.
 
Jornal do Dia – Acho que nós concordamos que o orçamento da Secretaria de Estado da Cultura é insuficiente, apesar do binômio cultura/turismo sempre pontuar o discurso dos homens públicos. Falta esclarecimento ou boa vontade por parte dos entes responsáveis?
Eloisa Galdino – Lutar por mais recursos para a área da cultura é uma bandeira que levanto junto aos agentes culturais, afinal, também sou um deles. O orçamento da Secult em Sergipe, assim como nos outros Estados, ainda é baixo, mas é importante ressaltar que ele tem crescido desde a chegada do presidente Lula e o ministro Gilberto Gil ao Governo Federal e Ministério da Cultura, respectivamente.

Hoje, está em curso no Brasil a formação do Plano Nacional da Cultura, que vai aumentar o poder financeiro dos órgãos que fazem gestão pública na área da cultura no país. Tenho orgulho de ter presidido o Fórum Nacional de Secretários por dois mandatos e ter colocado nosso Estado em evidência nessa pauta nacional. E Sergipe já está fazendo seu dever de casa para não ficar de fora desse processo, mas é uma luta constante. Digo e repito: ser gestora da Cultura é também ser militante dela.

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