Gabriel Damásio
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Uma tentativa de fuga aconteceu por volta das 17h de ontem no Centro de Atendimento ao Menor (Cenam). Cerca de 14 internos detidos na Ala 2 tentaram escapar e entraram em confronto com os agentes socioeducativos que estavam de plantão. O tumulto começou quando os guardas tentaram retirar um interno que alegou estar passando mal e pediu atendimento médico. Eles conseguiram impedir a fuga, mas os menores iniciaram um quebra-quebra e destruíram praticamente toda a ala, que tinha sido recentemente reformada.
Os agentes interviram novamente e controlaram o tumulto, dominando e algemando os adolescentes mais exaltados até a chegada da Polícia Militar. Quatro equipes, sendo duas do 1º Batalhão (1º BPM) e duas do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), reforçaram a segurança e fizeram a contagem dos internos. Ninguém escapou, mas, de acordo com o Sindicato dos Agentes de Medidas Socioeducativas de Sergipe (Sindasse), um interno e dois agentes socioeducativos foram socorridos ao hospital com ferimentos leves. A situação foi totalmente controlada ao início da noite.
De acordo com o presidente do Sindasse, Sidney Guarany, boa parte destes internos responde a atos infracionais equivalentes a crimes como latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio, entre outros. Esta foi a primeira tentativa de fuga registrada desde outubro do ano passado, quando o Cenam e a Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip) foram abaladas por uma sequência de fugas e rebeliões dos internos, além de uma greve dos agentes socioeducativos que durara 100 dias.
Nesta semana, uma nova crise foi criada nas unidades socioeducativas, depois que a juíza da 17ª Vara Cível de Aracaju, Aline Cândido Costa, ordenou o afastamento provisório da presidente da Fundação Renascer, Marta Leão Vasconcelos, e dos atuais diretores do Cenam, Jeane Maria Tavares, e da Usip, Marcos Vinicius Alves de Mendonça. Marta assumiu o cargo justamente na crise de outubro, quando o governador Jackson Barreto decidiu substituir toda a cúpula do órgão. Por meio da assessoria, a Renascer afirma que ainda não foi notificada da decisão até a tarde de ontem, apesar de o despacho ter sido expedido na última segunda-feira.
Segundo a ação movida recentemente pelo Ministério Público, a troca no comando não resultou em solução para os problemas de maus-tratos, falta de estrutura e não aplicação das medidas socioeducativas previstas em lei. Outro argumento que pesou foi a morte suspeita de um adolescente internado na Usip, que teria falecido dentro da unidade. Segundo a juíza Aline Cândido, "consta na certidão de óbito que o mesmo faleceu em razão de traumatismo craniano, quando foi informado que teria passado mal enquanto jogava bola". A magistrada determinou que o caso seja investigado em um inquérito policial aberto pelo Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV).


