Sem acordo, bancários continuam em greve

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Seguem com impasse as negociações entre banqueiros e bancários que completam hoje 72 horas de paralisação geral no Estado de Sergipe, com exceção do Banese que entrou em acordo com os funcionários antes de deflagrar a greve por tempo indeterminado e em todos os seguimentos de atendimento ao público. Diante da problemática, os clientes vêm enfrentando uma série de filas grandiosas e já avistam maiores contratempos com as centrais de autoatendimento que podem ficar desabastecidas de dinheiro já nas próximas horas, ou dias, a depender do fluxo de saques. A adesão da paralisação é nacional e em todas as instituições públicas e particulares que são filiadas à Federação Nacional de Bancos (Fenaban).

Os trabalhadores reivindicam reajuste de 12,5%, sendo 5,8% de aumento real. Eles também pedem Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários, além de uma parcela adicional de R$ 6.247, piso de R$ 2.979,25 e vales alimentação, refeição, décima terceira cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$ 724. Em Aracaju, apesar das possibilidades de realizar os pagamentos nos cashs, parte da população decidiu enfrentar outras grandiosas filas em casas lotéricas que realizam esse tipo de pagamento com valor máximo de R$ 700. Em 2013, a greve durou 15 dias e só acabou depois que foi oferecido um reajuste de 10% para os trabalhadores que ganhavam até R$ 2,5 mil e de 8,5% para assalariados com remunerações acima desse valor.

No ano passado a greve dos bancários resultou no fechamento de 80% das unidades em funcionamento no Estado. De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB), José Souza, a perspectiva da categoria é que os banqueiros possam apresentar possíveis contrapropostas que satisfaçam os grevistas e o fim do movimento seja anunciado em curto prazo. "Não podemos mais esperar que o piso nacional no valor definido pelo Dieese, que é de R$ 2.979,25, não seja mais cumprido. Estamos dispostos a entrar em negociação e logo retornar ao trabalho, mas enquanto propostas melhores não aparecem, o jeito é permanecer de braços cruzados", declarou o sindicalista.

Até o início da tarde de ontem alguns bancos ainda permaneciam em funcionamento, em especial, no interior do estado. Ciente da situação, a direção do SEEB garante que o trabalho de conscientização permanece sendo realizado a fim de registrar o maior número possível de servidores em greve. A meta das centrais sindicais de todo o país é mobilizar a categoria para que o ato público se fortaleça e resulte em benefícios reais para todos os bancários. "Estamos indo de banco em banco conversar com os companheiros e apontando os pontos positivos que podem render para todos. Para isso precisamos que todos venham conosco e integre esta campanha salarial. Sergipe é símbolo de união e vamos continuar assim", disse.

Conforme declarado pela Fenaban, uma série de canais está à disposição da população para realizar as operações bancárias, entre elas: caixas eletrônicos, internet banking, mobile banking (banco no celular), operações por telefone e correspondentes, como casas lotéricas, agências dos Correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados. Os caixas eletrônicos aceitam depósitos, pagamento de boletos a vencer, pagamento de conta consumo, saque com cartão, consulta ao saldo e pagamento de impostos e taxas. Para hoje, a perspectiva é que manifestações sejam realizadas em vários estados brasileiros, inclusive, Sergipe. "Aqui a gente não para. Então não seremos diferentes e vamos continuar nas ruas lutando por nossos direitos", pontuou José Souza.

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