RODOVIÁRIOS DEMITIDOS DAS EMPRESAS DO GRUPO PROGRESSO COBRAM DO PREFEITO OS EMPREGOS DE VOLTA

Milton Alves Júnior

A entrada principal do Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju, foi ocupada na manhã de ontem por rodoviários recém demitidos de empresas que compõem e operam o serviço de transporte coletivo na região metropolitana. Durante o ato público, os manifestantes tentaram agendar audiência extraordinária com o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT), diante da perspectiva de que a própria administração da capital sergipana intervenha nos diálogos e contribua para que os 256 profissionais dispensados sejam de imediato reintegrados ao quadro de funcionários. A demissão em massa aconteceu menos de um mês após a classe trabalhadora ter paralisado 70% dos serviços por mais de 48h.

No dia 15 de outubro deste ano, motoristas, cobradores e parte das equipes de manutenção decidiram cruzar os braços em protesto contra a recorrência de salários e demais direitos trabalhistas atrasados. Pouco mais de um mês após a suspensão parcial das atividades, no decorrer da mobilização desta quinta-feira (18), os trabalhadores enalteceram que os problemas denunciados anteriormente seguem atingindo centenas de funcionários. Dos 242 trabalhadores demitidos, exatos 84 vestiam a farda da viação Modelo, e outros 172 integravam o quadro de servidores da empresa Progresso. A pedido do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Aracaju (Sintra), o Ministério Público do Trabalho confirma que abriu inquérito sobre o caso e que está tomando as providências cabíveis.

Jorge Henrique, um dos funcionários dispensados, participou da mobilização de ontem e garantiu que todas as exigências burocráticas foram devidamente cumpridas. O manifestante se referia ao processo que envolve o agendamento de audiência junto ao prefeito Edvaldo Nogueira. “Por intermédio de vocês da imprensa, aquele que está acompanhando essa nossa luta, sabe que somos mais de 250 pessoas demitidas, mas ninguém sabe quantas pessoas realmente passam a enfrentar problemas devido a essa medida que aparentemente recebe o sinal verde da Prefeitura de Aracaju. Hoje muitos pais de família permanecem desempregados, e a situação se agrava nesses lares”, disse.

Questionado sobre o pleito apresentado à administração pública municipal, ao JORNAL DO DIA o ex-funcionário lamentou que nenhum representante tenha comparecido para ouvir o pleito dos trabalhadores, e buscado abrir canais de diálogo com o setor empresarial. “Muitos ainda tinham esperança de que o prefeito Edvaldo [Nogueira] recebesse uma comissão nossa, mas eu já imaginava. Quantas vezes tiveram atos aqui, e quantas vezes Edvaldo recebeu o pessoal? Eu trabalho com estatísticas, e esses números ajudaram a eu ficar mais com os pés no chão. Volto a dizer: são mais de 250 trabalhadores demitidos, e a prefeitura sequer faz alguma coisa para mudar esse cenário de desespero”, completou. Até o final da tarde de ontem a Prefeitura de Aracaju não havia se manifestado sobre o assunto.

Setransp – Por meio de nota, a direção do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp) revelou que tem acompanhado a situação, e provocado as autoridades públicas sobre a necessidade de ações que garantam a sustentabilidade do setor. “Infelizmente, têm sido frequentes os entraves para pagamento de salários, que é o maior custo entre as despesas para prestação do serviço, e isso tem preocupado todas as empresas do transporte, que presenciaram outras mais de 160, também do setor, fechando as portas pelo país durante a pandemia. Principalmente, diante do aumento do preço do combustível, segundo maior insumo do transporte, que já subiu só este ano quase 60%. O Setransp lamenta que o transporte que é um serviço essencial e um direito social esteja enfrentando essa situação e reforça a importância de medidas reparatórias, como a isenção de impostos e taxas, o subsídio para as gratuidades e aporte extra tarifário”, publicou.

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