Ouvidos de mercador

Não se trata de simples questão trabalhista. Fosse assim, os rodoviários demitidos pelas empresas que realizam o transporte de coletivo de passageiros na Grande Aracaju jamais pensariam em cobrar uma posição do prefeito Edvaldo Nogueira. Ocorre que as demissões têm tudo a ver com a pandemia ainda em curso e também com os problemas de mobilidade enfrentados na capital sergipana.

As questões trabalhistas, relacionadas à rescisão do contrato de trabalho e o pagamento de salários atrasados, já mereceram a atenção do Ministério Público do Trabalho. Os rodoviários, no entanto, reivindicam providências capazes de lhes devolver o ganha pão. Até agora, contudo, esgoelaram-se à toa. A única resposta da Prefeitura de Aracaju foi o silêncio, Edvaldo Nogueira faz ouvidos de mercador.

O prefeito deveria agir diferente. Afinal de contas, os 256 rodoviários postos no olho da rua talvez tenham sido apenas os primeiros a tomar tal rumo. As dificuldades econômicas enfrentadas pelas empresas reunidas no Setransp são conhecidas há meses. O serviço realizado por estas é de natureza essencial. Apesar disso, os gestores públicos lavaram as mãos. Nem realizam a sempre adiada licitação do transporte coletivo de passageiros, nem agem para evitar o colapso do sistema. Hoje, só recorre aos ônibus que circulam em Aracaju quem não dispõe de outro meio de transporte.

De nada adiantará esperar a tempestade passar, sem adotar nenhuma medida capaz de reverter o atual estado de coisas. Demitidos pelas empresas Progresso e Modelo, à beira da falência, os rodoviários que passaram a manhã de ontem agitando bandeiras na esperança de sensibilizar o prefeito engrossam a escandalosa estatística de trabalhadores desempregados no estado de Sergipe. O prefeito Edvaldo Nogueira não pode dormir o sono dos justos com um barulho desses.

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