Gabriel Damásio
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A polícia dá mais um passo nas pistas em busca do principal acusado pelo assassinato do vigilante Cléber Antônio dos Santos, 43 anos, baleado após reagir a uma tentativa de assalto à loja de caminhões do grupo Cimavel na BR-101, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Por volta das 14h de ontem, soldados do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) encontraram a motocicleta usada pelos criminosos durante o crime, na manhã de anteontem. Trata-se de uma Honda CB-300 de cor dourada e placa IAP-5307/SE, a mesma que aparece nas imagens registradas pelo circuito interno de TV da loja.
A moto estava em estava abandonada em um local de difícil acesso no Conjunto Jardim, em Socorro, próximo ao local do crime, e foi indicada por denúncia anônima a policiais que faziam buscas pela região. A origem do veículo está sendo investigada, mas a suspeita é de que ele teria sido roubado. A moto foi apreendida e levada para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que investiga o crime. Segundo a polícia, a CB-300 era pilotada por Adriano Batista da Silva, 22, que permanece foragido.
Nas imagens da Cimavel, divulgadas ontem pela Polícia Militar, Adriano aparece atrás do portão da concessionária, atirando três vezes contra a guarita onde estava o vigilante Cléber. Foi durante o momento em que o outro assaltante, José Felipe Santos Gomes, 21, entra no estacionamento para anunciar o assalto e leva um tiro no peito. Mesmo caído, José Felipe deu mais nove tiros e foi socorrido por Adriano, horas antes de morrer no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A análise preliminar da polícia mostra que os disparos feitos por Felipe acertaram a parede da guarita, e que os dois tiros levados pelo vigilante saíram da arma do foragido.
Morreu sozinho – O corpo de Cléber Antônio foi enterrado ontem de manhã no Cemitério São João Batista, no Conjunto Castelo Branco (zona oeste de Aracaju), sob clima de emoção e revolta dos familiares e colegas de trabalho. Durante os funerais, muitos vigias ainda chocados queixaram-se dos constantes roubos de armas e da falta de condições de trabalho. E citaram que o vigilante estava trabalhando sozinho no momento do assalto, quando deveriam estar dois vigilantes.
O representante do Sindicato dos Vigilantes de Sergipe, José Rolemberg dos Santos, argumenta que a presença de mais vigias armados e equipados ajuda a inibir a ação dos bandidos, que estão cada vez mais ousadas. "Eles não estão mais respeitando mais o circuito de TV. Eles vão pra cima mesmo. Tem que botar mais homens no ramo da gente, pelo amor de Deus! Se o contrato diz que tem que ter um homem, que ponham dois. Se diz que são dois, ponham três", apela.
O presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada de Sergipe (Sindesp), Marco Aurélio Pinheiro Tarquínio, não foi encontrado pela reportagem. Hoje, às 16h, ele deve comandar uma reunião extraordinária com os empresários do setor para discutir ações do setor para enfrentar a onda de violência contra os vigilantes. Os patrões, que contabilizam 42 assaltos sofridos apenas neste ano em Sergipe, também estão alarmados e devem procurar novamente a Secretaria da Segurança Pública (SSP) para pedir prioridade nas ações de investigação e policiamento de rua.


