Marli Moreira
Agência Brasil
São Paulo – A presidenta da República, Dilma Rousseff, anunciou ontem que o governo vai prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis até 31 de dezembro. Esse benefício deveria acabar no final deste mês.
Essa informação, que era esperada pelos empresários do setor, foi transmitida durante discurso na cerimônia de abertura da 27ª edição do Salão Internacional do Automóvel, evento bienal que está completando este ano 52 anos.
Dilma demonstrou ter gostado de ver a capacidade tecnológica das 49 marcas e dos 500 modelos de veículos em exposição no salão e, por mais de uma vez, defendeu a necessidade de o Brasil qualificar melhor sua mão de obra para tornar-se referência no mercado internacional.
A presidenta disse ainda que a melhoria da mão de obra reduz, simultaneamente, a dependência por alta tecnologia estrangeira. "Não acho que o Brasil deva abrir mão de produzir aqui o que pode produzir aqui", disse Dilma.
Dilma destacou a importância do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto), lançado pelo governo no início do mês. Ela acentuou ainda ser factível o avanço da participação brasileira no ranking mundial do setor, "porque o país tem três qualidades para ampliar a competitividade: preço, prazo e qualidade".
Além disso, Dilma atribuiu o bom momento vivido pela industria automobilística à ascensão da nova classe média.
Vendas e investimentos – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para automóveis até o final deste ano visa a manter as vendas e investimentos no setor. Além disso, a medida também garante inflação baixa e mais empregos. Ele destacou que esta "provavelmente" será a última prorrogação da redução do tributo.
"Renovamos a redução de IPI sobre automóveis por mais dois meses para que a indústria continue vendendo bem, continue anunciando e fazendo investimentos. Tivemos boa reação da última desoneração que vigorou nos últimos dois meses e nós queremos que isto se mantenha até o final do ano", disse.
O anúncio da prorrogação foi feito mais cedo pela presidenta Dilma Rousseff no Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo. O benefício estava previsto para terminar no dia 31 de outubro. A primeira redução do IPI foi anunciada em maio deste ano. Em agosto, quando a aplicação da taxa menor do imposto terminaria, o titular da pasta anunciou a extensão do benefício por mais dois meses.
Para Mantega, os preços menores dos veículos automotivos contribuem para diminuir a inflação. "Se suspendêssemos a desoneração, provavelmente as empresas iriam aumentar os preços, recolocar o IPI em novembro e dezembro. Queremos que os preços continuem baixos. Sempre que pudermos contribuir para baixar a inflação, nós estaremos contribuindo", comentou.
A extensão do IPI menor significa renúncia fiscal de cerca de R$ 800 milhões nos próximos dois meses. Para Mantega, a quantia que deixará de ser arrecada não preocupa. "Não preocupa a arrecadação porque se deixa de arrecadar o IPI, mas, em compensação, se aumenta [a arrecadação do] PIS, Cofins e o ICMS para os estados, o que é importante, porque o [resultado] fiscal é feito pelos estados também", explicou.
Mantega disse também que a renovação do IPI menor contribui para o aumento do emprego. "Você garante que as empresas continuarão aumentando o emprego, o que é fundamental. O Brasil é um dos poucos países que mantêm expansão do emprego", garantiu. Segundo ele, "a indústria de transformação, que era o setor mais afetado pela crise, já esta aumentando os empregos neste final de ano, está contratando".
O ministro disse que não quer ver no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países, como Alemanha e França, que anunciaram o fechamento de fábricas. Para Mantega é importante que o Brasil cresça indiferente à crise que afeta outras economias.

