Kátia Azevedo
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Mais de 30 bairros ficaram sem ônibus na região metropolitana da capital e da Grande Aracaju ontem, quando cerca de 40 linhas deixaram de circular. Este foi o saldo de uma manhã de paralisação e protestos realizados por rodoviários para exigirem o pagamento de salários atrasados, regularização de férias e melhores condições de trabalho. Os rodoviários retornaram ao trabalho no início da tarde de ontem, mas o serviço não foi normalizado imediatamente.
Logo cedo, cerca de 1700 funcionários, entre motoristas e cobradores que trabalham nas empresas ligadas ao Grupo Bomfim (Viação Cidade de Aracaju, Viação Histórica, de São Cristóvão, e Viação São Pedro) se concentraram em uma manifestação na porta da garagem da empresa, no bairro Santos Dumont.
De acordo com um rodoviário, a empresa não paga os salários dos funcionários há mais de 30 dias, além de descumprir outros direitos trabalhistas, a exemplo de ticket alimentação e férias. "A última vez que recebi meu salário foi referente ao mês de setembro. Não tem condições de um pai de família sobreviver assim", desabafa.
Outro funcionário diz que o pagamento das férias de outubro ainda não saiu. Os rodoviários também denunciam que vários encargos sociais foram descontados na folha de pagamento e não repassados para o INSS.
O presidente do sindicato da categoria confirma as denúncias dos trabalhadores. "Há um ano os atrasos vêm acontecendo e nós do sindicato já prevíamos que a qualquer momento haveria essa suspensão no serviço", ratifica Miguel Belarmino, presidente do sindicato.
A paralisação contou com o apoio do vereador eleito Adriano Oliveira (PSDB), que denunciou a existência de uma política de perseguição contra os trabalhadores por parte das empresas. "Os cobradores de ônibus são obrigados a pagar pelos valores subtraídos em assaltos, danos provocados em acidentes, mesmo quando não têm culpa. Esta é uma situação injusta com os trabalhadores, que estão submetidos a uma carga de trabalho de até 10 horas diárias e são obrigados a arcar com problemas que são de responsabilidade das empresas", denuncia.
Segundo informações dos rodoviários, alguns veículos da frota já passaram do tempo de uso, sendo considerados como sucatas em outros estados, com idade média de 15 anos de uso, com vários estragos e problemas mecânicos.
Os trabalhadores denunciam que até a manutenção dos ônibus é descontada nos salários dos motoristas. A categoria diz que só voltará ao trabalho quando os salários atrasados estiverem depositados nas contas, tanto o mês de setembro quanto o de outubro. Caso contrário, continuarão de braços cruzados.


