Uma crise de ciúmes terminou em tragédia passional na madrugada do último domingo em Brejo Grande (Baixo São Francisco). Na saída de uma seresta da periferia da cidade, o gari José Antônio Martins Batista, 35 anos, matou a própria ex-mulher, Josicleide Ferreira de Lima, 33, com várias pauladas na cabeça. O acusado foi preso quatro horas depois do crime, ao se esconder na casa de uma irmã em Penedo (AL) e, ao prestar depoimento, declarou-se arrependido e admitiu à polícia que atacou a vítima porque ela se recusou a dançar com ele na seresta. Antônio está detido na Delegacia Regional de Penedo e será transferido para Brejo Grande após autorização da Justiça.
Segundo a polícia alagoana, os dois viveram juntos por cerca de 20 anos e tiveram três filhos, até que Josicleide decidiu se separar de Antônio, que por sua vez não aceitava o término do relacionamento. O casal não morava mais junto há cerca de dois meses e o reencontro aconteceu na seresta de sábado. Segundo o agente de polícia Henrique Barbosa, chefe de cartório plantonista da Delegacia de Penedo, o gari se embebedou na festa e, alterado, tentou dançar com Josicleide. "Lá pela madrugada, ele a chamou para dançar e, provavelmente por conta de ele estar embriagado, ela se negou a dançar com ele. E com isso, ele achou que ela estava de olho em outro rapaz", relatou.
Mais tarde, o próprio acusado disse à rádio Liberdade FM que, após a recusa da ex-mulher, se irritou ao vê-la com outro rapaz que estava na festa, mas ficou quieto e decidiu segui-la quando ela saiu da seresta para sua casa, na Rua do Sal, por volta das 2h de domingo. "Quando dei as costas ela já estava dançando com outro. Eu fiquei com ciúme e depois matei ela", disse José Antônio, admitindo que, ao alcançar a vítima na casa dela, armou-se com uma enxada e a atingiu com vários golpes, até que ela morresse. Antes, o gari chegou a enforcar a vítima com uma corda amarrada no pescoço dela.
Depois do crime, o gari decidiu sair da cidade e foi até a casa da irmã, em Penedo, decidido a ficar morando lá por um tempo. No entanto, ele acabou denunciado à Polícia Militar alagoana, que o localizou na residência e o prendeu às 6h. "Ele não esboçou nenhuma reação. Quando o tenente perguntou se ele tinha cometido algum crime, ele respondeu: ‘Não, eu matei minha esposa por ciúme’. Parecia que ele estava sedado. Eu até conversava com ele aqui na delegacia e ele demonstrou que está muito arrependido", relatou o agente Henrique. Antônio disse aos policiais que só percebeu a gravidade de seu crime depois que o efeito da bebida passou, quando já estava preso. "Me arrependi, mas agora é tarde demais", lamenta o gari.
O acusado caiu em contradição algumas vezes em seu argumento. Na entrevista à rádio, José disse a princípio que nunca brigou com Josicleide durante os 20 anos em que esteve casado, mas, instantes depois, admitiu que chegou a agredi-la há quatro anos, durante uma discussão, mas alegou que fez isso em "legítima defesa". "A gente não brigava, mas eu tive ciúme de ver minha mulher dançando com outro", tentou emendar.
O gari, autuado em flagrante por homicídio qualificado, deve ser ouvido amanhã pelo delegado de Brejo Grande, que trocou informações sobre o caso com a polícia de Penedo. Um inquérito já foi aberto por ele para apurar o assassinato de Josicleide. Os filhos da vítima estão sob cuidados de parentes.
Bateu e morreu – Outro caso de violência doméstica que acabou em tragédia aconteceu sábado à tarde no povoado Salvadorzinho, em Itaporanga D’Ajuda (Região Sul). José Carlos dos Santos, 41, morreu depois de tentar esfaquear a própria esposa, a dona-de-casa Alessandra dos Passos Silva, 37, durante uma briga. Segundo a Polícia Militar local, Carlos também estava embriagado e, ao chegar em casa, começou a discutir com ela e com o filho, um adolescente, aos quais teria xingado com palavrões.
Após a discussão, o homem armou se com uma faca e fez um corte na altura dos seios de Alessandra, que pegou outra faca e reagiu, atingindo o pescoço do marido. José Carlos perdeu muito sangue e morreu antes da chegada da polícia. A polícia informou que a dona-de-casa foi encontrada sentada na frente de casa, suja de sangue e chorando muito. Ela foi internada sob custódia no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju, e passou por uma cirurgia. Ao ser presa, Alessandra confessou o crime e alegou legítima defesa. (Gabriel Damásio)


