Entidades organizam ato contra pagamento de estacionamento nos shoppings

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Na tentativa de assegurar o estacionamento gratuito para funcionários que trabalham nos shoppings Jardins e Riomar, a direção da Federação dos Trabalhadores do Comércio do Estado de Sergipe (Fecomse) ajuizou ontem uma Ação Civil Pública junto ao Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE). Segundo cálculos feitos pela federação, cada servidor que trabalha dois turnos diariamente deve desembolsar no final de cada mês cerca de R$ 200. Diferente das demais capitais nordestinas, Aracaju é a única cidade em que os trabalhadores do local são obrigados a pagar a tarifa de R$ 4 para cada quatro horas de uso do estacionamento.

Dando sequência às manifestações contrárias a esse tipo de cobrança, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/SE) irá promover na noite de hoje um grande ‘apitaço’ em frente ao Riomar. Marcado para começar a partir das 19h30, a expectativa é que várias entidades de classe lideradas pela CTB possam participar. Para Samuel Schuster, presidente da Câmara dos Lojistas de Aracaju (CDL), essa determinação do Grupo Paes Mendonça, que administra os dois shoppings irá influenciar negativamente no lucro que deveria ser registrado durante as festas de final de ano.

"Foi uma atitude precipitada e que pode prejudicar os donos de lojas. Além disso, também insatisfeito, o prefeito Edvaldo Nogueira liberou o estacionamento em toda a área central da capital durante o período natalino. Se continuar assim, a tendência é que as lojas continuem com baixo movimento", declarou.

Conforme dados divulgados pela CTB, presume-se que nos dois estabelecimentos cerca de 1.500 pessoas trabalham em horário integral. Alguns, com apenas três folgas no mês. Questionado quanto ao risco de demissões, o presidente alegou que alguns comerciários já procuraram a CDL se mostrando preocupados.

"Devido a essa cobrança, muitos acreditam que não vão suportar e podem chegar a pedir demissão. Como se não bastasse o período de quatro horas de trabalho por turno, é bom deixar bem claro que os funcionários geralmente chegam antes e saem depois do expediente. Isso irá render mais lucro para a administração do shopping devido as horas extras", concluiu Schuster. Unidos desde a última segunda-feira, 26, quando a cobrança teve início, os servidores do Centro de Atendimento ao Cliente (Ceac) também irão participar do ato público desta quinta-feira.

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