Kátia Azevedo
Hoje e amanhã, alunos de escolas estaduais estarão sem aulas. Professores da rede suspenderam as atividades reivindicando o pagamento do piso nacional do magistério.
As aulas foram suspensas na capital e no interior com o objetivo de também chamar a atenção do governo e da sociedade para o reduzido número de docentes nas escolas. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), as unidades de ensino do interior são as mais afetadas pelo problema.
Os professores continuam amanhã com uma agenda de mobilizações e atos públicos. Ontem, eles estiveram em frente ao palácio dos Despachos, na avenida Adélia Franco, em Aracaju. Ainda de acordo com o sindicato, os professores estão revoltados com o Governo do Estado por não dar possibilidade de negociação. Eles garantem que já foi apresentada uma proposta viável economicamente para o Governo.
O impacto de paralisações para a conclusão do ano letivo é visto com preocupação por estudantes e pais de alunos, que já prepararam uma mobilização. Eles querem o fim do impasse e consequentemente o entendimento entre governo e a categoria.
O Governo já manifestou publicamente que encerrou negociação sobre o pagamento do piso, mas para o sindicato da categoria o estado está se negando a sentar para negociar. Segundo a categoria, a decisão de paralisar as atividades se deve à falta de reajuste do piso em 2012, bem como pela falta de discussão de reestabelecimento da carreira dos educadores da rede estadual.
Na semana passada, os professores ainda decidiram em assembleia geral pelo indicativo de suspensão do início do ano letivo de 2013. Ângela Melo, presidente do Sintese, disse que outros problemas estruturantes como a falta de professores vem prejudicando o andamento das aulas, comprometendo a conclusão do ano letivo e que a luta da categoria pelo piso nacional representa também uma mobilização social para garantir a solução desse problema. "Na rede estadual não falta professor, existe sim uma desorganização da secretaria na gestão deste problema, com uma série de professores em desvio de funções", denuncia.
Sobre o pagamento do piso, a sindicalista criticou o governo. "Até 2010, o governo entendia que era lei e que o piso nacional deveria ser pago, chegando a negociar com a categoria essa possibilidade naquele ano. Em 2011, o cenário mudou, quando os deputados aprovaram outra lei criada pelo governo. Esta última lei foi feita para burlar a lei do piso nacional, dando direito ao governo do Estado a dar um piso diferenciado, o que não podemos aceitar", censurou.
Hoje os professores irão à Assembleia Legislativa informar aos deputados que rejeitam 6,5% de reajuste que o governo está oferecendo para a categoria.
Piso Salarial – O piso salarial é uma lei federal que foi aprovada desde 2008, e desde então o governo, para implementar o piso, elaborou algumas metodologias que a lei determina, e uma delas foi em 2009, quando os professores só tinham direito a dois terços. Em 2010 aconteceu a integralização, e a lei dizia que para integralizar o piso era necessário que os municípios, o estado e o distrito federal, adequassem o plano de carreira, seus estatutos ou elaborar para com aqueles que não tivessem.
De acordo com o governo, em Sergipe o piso de R$ 1.451 é pago a todos os professores da rede pública estadual, ao contrário do que afirma o Sintese. O sindicato está exigindo que o Governo do Estado conceda um aumento de 22,22% para toda a categoria, o que, segundo o governo impacta a folha de pagamento em R$ 150 milhões.


