Milton Alves Júnior
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Transitar pela Praça da Bandeira, em Aracaju, tornou-se em tormento para sergipanos e turistas que visitam o espaço. Abandonada há mais de três anos pelo governo municipal, o atual cenário de destruição da área, onde deveria ser de lazer e ampliação do conhecimento, voltou a assustar milhares de pessoas que foram assistir ao desfilo cívico, realizado na manhã da última segunda-feira, 07. Sem nenhum tipo de manutenção adequada, a praça apresenta centenas de buracos, bancos danificados, iluminação cada vez mais precária, ratos e baratas em excesso, e um posto da Guarda Municipal desativado. Sem agentes na região, meliantes pincham a base de fiscalização, usam livremente vários tipos de drogas e apavoram os transeuntes.
Em maio de 2013 a Prefeitura de Aracaju informou que um processo licitatório havia sido aberto para reformá-la; já no dia 29 de outubro do mesmo ano a direção da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), informou que técnicos haviam sido enviados para a praça a fim de realizar estudos arquitetônicos para a realização de melhorias; em 23 de novembro de 2014, mais de um ano depois, o problema voltou a ser criticado por moradores e estudantes universitários que se reuniram para debater o assunto.
A busca por soluções imediatas não parou por aí. No dia 27 de fevereiro deste ano moradores, comerciantes, estudantes colegiais situados nas proximidades e vereadores de Aracaju se uniram a uma corrente de pedidos pela reforma da praça. Como pode se constatar, nada, ou quase nada, foi feito até o momento pelo prefeito João Alves Filho. De acordo com o vereador Iran Barbosa (PT), aparentemente o prefeito não possui interesse em resgatar a história da cidade em que administra. "Eu pediria mais sensibilidade a essa Administração. No plenário da Câmara de Vereadores já fiz Indicação solicitando a reforma daquele importante espaço, mas não houve nenhuma solução para o problema. O povo clama por melhorias imediatas, mas apenas promessas vagas são atribuídas", declarou.
Durante campanha eleitoral, nos meses de agosto e setembro de 2012, João Alves, então candidato, discursou em carreata realizada nos bairros Getúlio Vargas, Suíssa e Cirurgia, que caso fosse eleito iria reformar as principais praças da capital sergipana, inclusive a Praça da Bandeira. O candidato do DEM foi eleito pela maioria, venceu o principal oponente já no primeiro turno, mas até o momento apenas camadas de asfaltos e derrubada de árvores foram promovidos na região. Para o estudante Diego Souza, aluno da Escola Estadual Manoel Luiz, os professores deixaram de realizar aulas práticas na praça por falta de condições de uso e medo de assaltos. É fato que ainda restam mais de 400 dias para o fim do mandato de João, mas o jovem de 17 anos não acredita na obra de reforma.
"Disseram tanto que iriam mudar a realidade da praça e até agora o que a gente viu foi a prefeitura passando a máquina com asfalto na calçada e derrubando várias árvores. A gente não pode estudar, imagine ficar com os amigos conversando, ou com uma namorada. Se as pessoas acharam ruim passar o 07 de setembro aqui nesse lixo de praça, imagine a gente que tem que passar por aqui todo dia. A reclamação é geral, podem pesquisar se quiser", lamentou. Parte das críticas declaradas pela população durante o desfile estava relacionada à ausência da bandeira do Brasil que, por tradição, sempre foi erguida em um mastro com mais de 30 metros de altura situado no centro da praça. A ausência do símbolo máximo da nossa nação mostra o desleixo da atual administração pública junto ao ambiente de ‘lazer’.
Na opinião do micro empresário Ancelmo dos Santos, reclamar do prefeito e os respectivos assessores é o mesmo que ‘dar murro em ponta de faca’. "Só vai dar dor de cabeça porque se tem três anos que ele prometeu melhoria e nada foi feito até agora, não é qualquer resposta engessada dos assessores que nós vamos acreditar", informou. Sobre a segurança no local, o trabalhador disse que apenas uma viatura da Polícia Militar realiza a segurança. "Tem base móvel da PM aqui porque o estado mandou, mas o certo seria a Guarda Municipal para cuidar do patrimônio público. Polícia deveria estar na rua prendendo bandido, ou só vir aqui em casos extremos. O posto da guarda está abandonado. A falta da bandeira do Brasil nem é mais surpresa para a gente que trabalha aqui. A Praça da Bandeira não existe mais", pontuou.


