MILHARES NO VELÓRIO DE FREI MIGUEL

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Morreu na madrugada de quarta-feira, no Hospital São Lucas, aos 104 anos de idade, frei Miguel, fundador da paróquia São Judas Tadeus, popularmente conhecida como Igreja dos Capuchinhos, no bairro América, na Zona Oeste de Aracaju.

O corpo do frei Miguel está sendo velado na Igreja São Judas Tadeu, no bairro América, com visitação pública. A missa de corpo presente acontece hoje às 9h e logo em seguida o sepultamento na própria igreja.

O religioso enfrentava problemas de saúde há alguns anos devido a avançada idade. Ele morreu vítima de falência múltipla dos órgãos. Em junho deste ano, o frei foi internado no Hospital São Lucas. Na ocasião, a informação era que estava sem querer se alimentar e precisou ser internado para recuperar as forças. Segundo os médicos, ele não sofria de doença nenhuma, nem diabetes, nem colesterol, apenas fraqueza por conta da idade.

Frei Miguel Ângelo Serafim, frade capuchinho da Igreja Católica, nasceu em 30 de outubro de 1908, na cidade de Cíngoli, Itália. Batizado Michelangelo Serafim Cesare, adotou o nome de frei Miguel quando ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em 1925, participando da vida religiosa por 87 anos, sendo ordenado como sacerdote em 1926.  Em 1935, frei Miguel chegou ao Brasil.

Na década de 60, frei Miguel veio para Sergipe, onde participou ativamente da fundação da Ordem dos Capuchinhos no estado e atuando diretamente na construção da Igreja São Judas Tadeu.

O frade franciscano teve atuação direta nas transformações da sociedade aracajuana e sergipana ao longo dos últimos anos. Passou pelas paróquias de Maruim, Santo Amaro, General Maynard e Rosário do Catete.
O corpo do frade foi velado durante todo o dia de ontem e início desta manhã na igreja que ajudou a construir. No mesmo local, em outubro, foi celebrado o aniversário do frei. Ontem, logo nas primeiras horas do dia, os fiéis foram ate a igreja para prestar as últimas homenagens ao religioso.

Assim que chegou ao Brasil, o frei morou na Bahia onde lecionou para seminaristas e noviços. Exerceu atividades missionárias também em municípios baianos como Entre Rios, Rio Real, Jandaíra e redondezas. Frei Miguel chegou a Aracaju em 1963 por designação da ordem e aqui exerceu o melhor da sua atividade pastoral e missionária.

O frei se tornou uma referência de solidariedade, que marcou os anos de trabalhos exercidos com a comunidade de todo o estado de Sergipe. Nas décadas de 70 e 80 o religioso foi vigário de Maruim, Santo Amaro, Rosário do Catete e General Maynard. Mas foi em Aracaju, especificamente no bairro América, que Frei Miguel marcou presença sempre paciente na hora de atender e ajudar a população.   

No bairro América, onde teve atuação marcante, o frei foi um dos idealizadores do posto da Polícia Comunitária no bairro, tornando o local em uma das primeiras experiências de unir comunidade e polícia. Uma conquista que os moradores não esquecem.

"A comunidade passou a acreditar mais na polícia e o bairro ficou mais tranquilo. Antes era muita morte e assaltos. Quando o posto foi instalado, as coisas mudaram. O frei possibilitou esta conquista para as pessoas daqui", lembra a professora Natália Maria Santos.

Os moradores relembram outras conquistas como reformas nas praças, fruto da luta de frei Magno. Além, das melhorias no bairro, as doações de cestas de alimentos também são lembradas pela comunidade.
Assim que souberam da morte do frei, muitos fiéis se deslocaram até a igreja. "Nos sentimos órfãos com a sua partida. É uma perda muito grande não só para a igreja como para o nosso bairro", lamenta a professora.

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