Milton Alves Júnior
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Estava previsto para começar às 6 horas de hoje, a desocupação das 826 unidades habitacionais construídas no bairro 17 de Março e que recentemente foram invadidas por centenas de famílias não cadastradas junto a Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social. Para evitar que as famílias beneficiadas percam definitivamente o imóvel, a Prefeitura de Aracaju deu início a um processo judicial ainda no Governo Edvaldo Nogueira que resultou em uma liminar concedida na semana passada pelo Tribunal de Justiça autorizando a retirada dos invasores. Para não pegá-los de surpresa, um carro de som desde a última segunda-feira, 18, está informando que as casas devem ser desapropriadas.
Para essa operação, aproximadamente 800 pessoas, entre oficiais de Justiça, policiais militares, homens do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal, além de equipes do Samu e conselheiros tutelares, foram escaladas na tentativa de evitar a resistência das pessoas. De acordo com a secretária municipal da Família e da Assistência Social, Selma Mesquita, o objetivo do anúncio era possibilitar uma ação pacífica. "Estamos apenas cumprindo uma determinação judicial. Aquelas pessoas que foram cadastradas, e tem direito ao benefício, logo em breve receberão as escrituras. As demais terão que se cadastrar para futuramente conquistar uma casa popular", disse.
Preocupadas com o destino a tomar assim que as casas forem desapropriadas integralmente, cerca de 40 pessoas foram à entrada principal do Tribunal de Justiça, na praça Fausto Cardoso, em Aracaju, e solicitaram ajuda para que a ação não fosse realizada. Porém, nenhum representante da corte judicial foi dialogar com as famílias. Segundo a moradora Marluce dos Santos, desde o início do ano a Prefeitura ameaça realizar a desocupação, mas nunca promoveu um encontro para que as famílias que invadiram o conjunto habitacional sejam cadastradas e tenham certeza que em breve podem também ser beneficiadas pela administração municipal.
"Eu estava morando nas ruas, foi quando apareceu a oportunidade de ficar nessas casas que estavam abandonadas. Ninguém ia lá pra construir ou informar que não era permitido ficar ali. Agora que as pessoas já se acostumaram os chefões vêm querer expulsar a gente. Vai ser difícil", alegou. Apesar de a prefeitura constatar que muitas casas foram ocupadas irregularmente, algumas delas teriam sido invadidas por famílias que de fato serão contempladas. Em recém entrevista concedida ao JORNAL DO DIA, o colaborador de projetos sociais da região, Valter Duarte, disse que vândalos estavam destruindo as moradias e os proprietários se mudaram para o conjunto afim de inibir essas ações.
Segundo levantamento elaborado pela administração anterior, até o final do mês de dezembro cerca de 210 famílias haviam se mudado para o bairro 17 de Março. Em decorrência das recentes invasões, alguns líderes comunitários acreditam que o atual número já pode estar ultrapassando a casa dos 280 imóveis ocupados. Entre os objetos furtados estão portas, janelas, caixas d’água, chuveiros, torneiras, pias e vasos sanitários.
As ações de reintegração foram iniciadas por volta das 5h pela Polícia Militar que conta também com uma guarnição do Hospital da Polícia Militar, 63 viaturas por terra, além do auxílio do helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA), da Secretaria de Estado da Segurança Pública.
Vale ressaltar que, após a reintegração, ficou definido em reunião que, automaticamente, os proprietários dos imóveis receberão as casas; os invasores retornarão aos seus locais de origem e as pessoas que não tem para onde ir serão levadas a um galpão estabelecido pela Prefeitura de Aracaju.


