Na ponta dos dedos amarelados

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Joel Silveira não gostava de Caetano, mas foi numa música do compositor baiano que eu encontrei a melhor definição para o sentimento preservado entre as páginas dos livros, como um trevo desidratado que um dia há de trazer sorte – o amor devotado aos maços de cigarros.

A leitura é, de fato, como nicotina. Não deixa ninguém impune. O leitor se entrega no hálito, na ponta dos dedos amarelados. Mesmo quando se trata de um jornalismo tão bom que nem combina com nossos dias, como no caso dos labirintos iluminados pelas palavras de João do Rio, a leitura escraviza.

É também o efeito provocado pelo trabalho do próprio Joel Silveira. Se eu fosse um estudante de jornalismo entediado, obrigado ao falatório de professores que nunca bateram ponto numa redação, matava aula todos os dias, aos pés de uma árvore no fundo do Colégio de Aplicação, até ler todos os livros da víbora. Depois disso e dos esporros de um editor carrancudo, o diploma, um padeço de papel enrolado como canudo, não faria falta a ninguém.

O maior repórter do Brasil – Natural de Lagarto, município localizado na região centro-sul do estado, Joel partiu muito cedo, aos 19 anos, para o Rio de Janeiro, onde desenvolveu seus dotes de escritor e teve uma brilhante carreira como jornalista.

Escreveu na revista Diretrizes, semanário de propriedade de Samuel Weiner, no qual permaneceu até a redação ser fechada pelo DIP, em 1944, e também para os Di[ários Associados, Última  Hora, O Estado de São Paulo, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Manchete.

Publicou cerca de 40 livros. Foi agraciado com o prêmio Machado de Assis, o mais importante da Academia Brasileira de Letras, em 1998, pelo conjunto de sua obra. Foi ganhador dos prêmios Líbero Badaró, Prêmio Esso Especial, Prêmio Jabuti e o Golfinho de Ouro. Pouco antes de falecer, foi homenageado do Segundo Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado entre os dias 17 e 19 de maio de 2007 pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.

A invenção da roda – As Rodas de Leitura, feliz iniciativa da Secult, são promovidas todas as primeiras e terceiras terças-feiras de cada mês. O evento é aberto ao público em geral. O objetivo é incentivar a leitura e difundir os trabalhos de autores contemporâneos e de obras da literatura sergipana.
Os encontros ocorrem sempre no auditório da Biblioteca Pública Epifânio Dória (BPED), a partir das 9h. A iniciativa é da Secretaria do Estado da Cultura (Secult), através do Comitê Sergipano do Proler.

Roda de Leitura dedicada a Joel Silveira
16 de abril, às 09h, no auditório da Biblioteca Epifânio Dória

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