Milton Alves Júnior
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Será realizada na manhã de hoje em Sergipe uma série de manifestações denominada ‘Abril Vermelho’ que é promovida pelo Movimento dos Sem Terra (MST) com o objetivo de lembrar os 17 anos do Massacre dos Carajás. Em Aracaju, a promessa é que os manifestantes promovam atos públicos na entrada principal do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e uma vigília em frente à sede da Justiça Federal. Já no interior, a perspectiva é que rodovias das cinco regiões sejam parcialmente interditadas por 19 minutos. Esse tempo foi estipulado para lembrar a morte de 21 pessoas durante o massacre.
Todos os atos estão previstos para começarem às 9h. Segundo a direção do MST, a manifestação também será realizada em mais 22 estados. Para um dos dirigentes do MST em Sergipe, Esmeraldo Leal, o ato a ser promovido nas proximidades da Justiça Federal tem por objetivo cobrar maior agilidade no processo de investigação. "Apesar de ter passado tanto tempo desse massacre, ainda muitos casos não foram investigados pela justiça brasileira e entendemos a necessidade de cobrar essa agilidade. O ato será simbólico como forma de exigir mais compromisso dos reais responsáveis pela apuração desse processo", declarou. A programação foi elaborada e aprovada na tarde da última sexta-feira, 12.
Na edição deste ano, três pautas são primordiais para o MST. Não deixar a história do massacre ser esquecida pela população; dar sequência a Jornada Nacional de Luta pela reforma Agrária; e conquistar o apoio dos sergipanos. Ainda de acordo com Esmeraldo, o sucesso das reivindicações só poderá ser conquistado com o apoio geral da sociedade. "Com o povo nos ajudando, podemos conquistar avanços e evitar que outros fatos lamentáveis como o Massacre dos Carajás sejam realizados no país. Queremos, necessitamos e vamos implorar pelo apoio de todos", pontuou.
O confronto ocorreu quando 1.500 sem-terra estavam acampados no município de Eldorado dos Carajás, sul do Pará. A polícia foi encarregada de tirá-los do local, porque estariam obstruindo a rodovia BR-155. Segundo informações apresentadas pelo MST/SE, uma semana depois do massacre, o Governo Federal, na época tendo como chefe do executivo o presidente Fernando Henrique Cardoso, decidiu criar o Ministério da Reforma Agrária. O então presidente do Ibama, Raul Jungmann, foi indicado para ocupar o cargo de ministro.
Garantindo promover ações pacíficas, Anselmo Moura, também membro do MST, disse que espera não haver um novo confronto com agentes militares. "Nossa meta é exigir um país mais democrático, onde o povo brasileiro possa ter chance de abrir a boca e criticar as atuais irregularidades. Em Sergipe poucos conflitos foram promovidos entre nós e os militares. Se deixarem a gente fazer nossas manifestações, afirmo que não haverá contratempos", declarou. Questionado sobre as interdições em áreas do agreste, litoral e sertão sergipano, por exemplo, o integrante disse que a intenção não é prejudicar o fluxo de veículos, e sim chamar a atenção de todos para o caso. "Acredito que a maioria dos condutores vai entender nossa paralisação. 19 minutos, esse será o tempo máximo do protesto", concluiu.
Dando sequência aos atos, na tarde de hoje os manifestantes irão panfletar folders educativos e que retratam essa história de luta. Essa panfletagem será realizada nos calçadões das ruas de Laranjeiras e João Pessoa, em Aracaju.


