Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
Servidores municipais se reuniram na manhã de ontem em frente ao Centro Administrativo Aloisio de Campos, em Aracaju, com o objetivo de cobrar do prefeito João Alves Filho (DEM), explicações para o reajuste salarial de 5% concedido no último dia 16 a todas as categorias. Segundo os manifestantes, o chefe do executivo municipal não abriu uma mesa de negociações com os funcionários, e de forma ditatorial publicou o reajuste através do site oficial da prefeitura. Ao todo, mais de dez categorias participaram do ato, inclusive o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Aracaju (Sepuma).
Os servidores aproveitaram que o prefeito concedia entrevista coletiva no auditório do centro administrativo e invadiram a sala para pressionar o prefeito. Surpreso, João Alves disse: "Sou um executivo contratado pelo povo para cuidar de seus interesses. Tenho obrigação de prestar contas com a população", disse João.
Durante o debate, ficou definido que na próxima terça-feira, 30, véspera do Dia do Trabalhador, será realizado um novo encontro para debater a proposta de todas as categorias que promoveram uma paralisação de 24h de quinta para sexta, passada.
Segundo o presidente Nivaldo Fernandes, o reajuste de 5% e a criação de 350 cargos de comissão mostram o quanto João Alves e secretários pretendem contratar novos funcionários, a fim de, possivelmente, contar com um apoio mais significativo nas eleições do próximo ano. Para ele, a ideia do prefeito é ampliar cada vez mais o número de comissionados. "No início desse mês chegamos a conversar pessoalmente com o prefeito e ele disse que iria sentar para conversar no último dia 17. Para a nossa infelicidade, na noite anterior o site já publicava o mísero reajuste de 5% para todos os servidores", afirmou.
Com frases de ordem e ameaçando invadir os departamentos administrativos, toda a ação dos manifestantes foi acompanhada de longe por agentes da Guarda Municipal. Segundo os próprios agentes, o objetivo era evitar que danos ao patrimônio público fossem promovidos. Ainda em entrevista ao JORNAL DO DIA, o sindicalista chamou a atenção dos órgãos de fiscalização, pincipalmente o Tribunal de Contas e Tribunal Regional Eleitoral, para que atitudes ilegais não sejam realizadas. "Tem cargo recém criado que paga quase oito mil reais, e outros antigos, inclusive de alguns secretários que passou de seis mil, para dez ou doze. Os CCs da prefeitura estão semelhantes ao do estado", pontuou.
Sem retroatividade a janeiro, de acordo com a data-base das categorias, quem também disse estar insatisfeita com a postura administrativa adotada por João Alves foi a presidente do Sindicato dos Assistentes Sociais (SINDASSE), Rosely Anacleto. De acordo com ela, caso o reajuste seja aprovado pelos vereadores da capital, os trabalhadores irão registrar uma perda muito grande. "O aumento foi irrisório, abaixo de qualquer índice e expectativa criada pelos profissionais. Antes mesmo de apresentar o reajuste, havíamos apresentado as nossas reivindicações, mas não chegamos a sentar para debater. Estamos perplexos com a atitude egoísta do prefeito", disse.


