Milton Alves Júnior
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Em meio às greves atualmente realizadas em Aracaju, departamentos públicos e particulares continuam atendendo a população de forma precária e contribuindo para a insatisfação dos usuários. Os servidores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Públicos (Sintrase), por exemplo, garantem que só devem retornar às atividades quando o Governo do Estado apresentar uma contraproposta que satisfaça todas as categorias. Ao todo, mais de 25 mil profissionais estão de braços cruzados reivindicando reajuste salarial, assistência médica e plano de carreira. Entre eles, técnicos administrativos, professores, seguranças, merendeiras e operários da construção civil.
Na expectativa em ser convocado para um debate com o secretário Jeferson Passos (Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão – Seplag), o presidente do Sintrase, Waldir Rodrigues, disse já ter criado uma comissão de greve. Segundo o sindicalista, essa comissão tem por objetivo dialogar sobre as reivindicações de forma ordenada e sem agressividade verbal. "Só no setor de educação nós temos mais de sete mil servidores que aderiram ao movimento. Na Secretaria de Estado da Fazenda temos mais uns 400. Será que o governo não percebe o problema que estão causando sem abrir espaço para negociação?", indagou.
Dando sequência a escala de atos públicos, na manhã de hoje a partir das 8h os manifestantes irão protestar em frente à sede do Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária de Sergipe (DER/SE). A meta é intensificar as cobranças referentes a aprovação do Plano de Cargos, Carreira e Remunerações (PCCR), além do reajuste salarial. "Vamos mais uma vez às ruas para mostrar a população que os nossos serviços só estão prejudicados porque o governo quer. Assim que eles decidirem nos atender para negociar, o serviço pode ser regularizado". Além das escolas e secretarias, o Centro de Atendimento ao Cidadão (CEAC), também atende apenas com 30% do total de funcionários.
Conforme esclarecido pela assessoria de comunicação da Seplag, o Governo do Estado está mantendo negociações para avançar no processo de elaboração do plano de carreira dos servidores públicos e, inclusive, já recebeu representantes do Sintrase para dar continuidade ao processo de diálogo com a categoria. Na ocasião, foi solicitado que as negociações ocorressem no decorrer deste mês, após a divulgação da avaliação do comportamento da evolução das despesas com pessoal e do comprometimento dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Construtores – Em greve há quatro dias, operários que trabalham na construção civil em Sergipe estão pleiteando reajuste salarial de 15%, cesta básica no valor de R$ 150 e plano de saúde. Ameaçando promover outras mobilizações nos próximos dias, a direção do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/SE) espera que os clientes dessas construtoras se unam às reivindicações a fim de garantir a entrega do imóvel na data confirmada em contrato. Preocupada com a situação dos trabalhadores, a Força Sindical também se uniu ao grupo a fim de conquistar êxito nas negociações.
"Como venho afirmando a imprensa ao longo dessa primeira semana de greve, o tempo de espera e negociações sem progresso chegou ao limite e nós da Força, sensibilizados com a situação de cada trabalhador, decidimos nos unir para contribuir na luta dos companheiros", disse. Questionado sobre as soluções para que a greve seja encerrada, o sindicalista concluiu: "Ou a justiça declara a ilegalidade da mobilização, ou os empresários apresentam uma contraproposta que satisfaça a maioria". Em caso de ação judicial, sem registrar qualquer avanço, um possível ‘corpo mole’ pode ser promovido até que as pautas sejam devidamente atendidas.
Docentes – Após liminar judicial que exigia a retirada imediata dos professores que ocupavam a sede da Secretaria Municipal de Educação do município de São Cristóvão, docentes em greve desde o dia 4 de março atenderam a determinação, mas continuam longe das salas de aula.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), os professores reivindicam um diálogo com a prefeita Rivanda Batalha (PSB), para tratar sobre uma possível redução salarial. Segundo os professores, recentemente a chefe do executivo municipal autorizou um corte que varia entre 30% e 40% nos salários dos educadores.
Para Erineto Vieira Santos, professor em São Cristóvão e membro da diretoria executiva do Sintese, desde que voltou a administrar a cidade, a ‘Família Batalha’ vem proporcionando perdas incalculáveis para os servidores da educação. "Ao invés de buscar o diálogo com a categoria, a prefeita se utiliza da truculência e da perseguição. Tenho pra mim que vamos passar quatro anos comendo o ‘pão que o diabo amassou’", lamentou. Assim como as demais categorias citadas nesta matéria, os professores também continuam em greve e por tempo indeterminado.


