Gabriel Damásio
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A Divisão de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) já sabe que o aumento recente dos roubos e furtos de motonetas e ciclomotores (conhecidas como ‘shinerays’) pode estar ligada a uma quadrilha de criminosos que falsificava chassis e documentos para revender os veículos. A conclusão surgiu após a apreensão de 10 ciclomotores encontrados em uma casa no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). O local foi descoberto ontem de manhã, em uma operação de agentes do DRFV com apoio de um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA), que sobrevoou a região e ajudou os policiais na localização.
Conforme a polícia, a casa é de Cesar Valdevino dos Santos, 30 anos, que está foragido e é apontado como o líder do esquema de roubo e revenda de ciclomotores. A irmã do acusado, Kelly dos Santos, 34, foi presa. Além das motos, os policiais apreenderam uma pistola calibre 765, um revólver calibre 38, munições calibre 40, um veículo Gol, cápsulas vazias de cocaína, celulares, computadores, carimbos de empresas de revenda de motonetas, impressoras e R$ 850,00 em dinheiro.
Segundo o delegado Marcelo Hercos, a investigação começou dez dias antes, a partir de uma informação repassada ao Disque-Denúncia (181). Depois de levantar informações em campo, os policiais civis pediram o auxílio do GTA para confirmar a presença das motos na residência. O local foi achado em menos de dez minutos. "Sobrevoamos o local e observamos que haviam várias motonetas no quintal da casa. E tomamos o cuidado de fazer tudo sem que eles percebessem nossa passagem e guardassem as motos em outros locais. Pousamos em um lugar seguro, desembarcamos e após acionarmos as equipes do DRFV, fomos até a casa e efetuamos a operação", explicou o coordenador do GTA, Virgílio Dantas.
As motonetas tiveram a identificação checada e foi confirmada a falsificação dos chassis e dos documentos dos veículos, os quais apresentaram restrição de roubo e furto. De acordo com Hercos, a suspeita da polícia é de que os roubos eram executados por adolescentes recrutados por César, que até alugava armas de fogo para que os menores as usassem nos crimes. Os veículos foram levados para a DRFV e apresentados à tarde em coletiva de imprensa.
Após os roubos, as motos eram levadas para casa do Santa Maria, onde o acusado e a irmã falsificavam os chassis e documentos "A motoneta realmente tem uma facilidade na falsificação por não haver um controle através de emplacamento. Em razão desta facilidade, o suspeito e a irmã dele faziam o processo de ‘esquentamento’ desses veículos dentro da residência, e posteriormente os revendia em feiras de trocas e outros locais. Há indivíduos que acreditavam possivelmente que estavam comprando um veículo lícito", revela o delegado, confirmando que a falsificação foi comprovada pela apreensão de notas fiscais, carimbos e um computador onde essas notas eram produzidas pelos acusados.
Um detalhe que chamou a atenção dos policiais foi o padrão de estrutura da casa de César, considerada como "de classe média alta" e incompatível com os padrões comumente encontrados no Santa Maria. "A casa é muito bem construída, tem três pavimentos, que destaca-se daquelas residências da região, porque é uma região de residências humildes. A casa tinha portas em blindex, pisos de primeira qualidade, vários equipamentos de última geração… Isso só reforçou a nosso suspeita. Se alguém entrasse na casa de olhos vendados, e visse o que havia lá dentro, jamais desconfiaria que ela estaria no Bairro Santa Maria", descreveu Virgílio.
Agora, os agentes do DRFV concentram-se na busca por Valdevino e na identificação de outras pessoas envolvidas com o esquema, como os receptadores das motonetas e os executores dos assaltos. Kelly, por sua vez, foi autuada em flagrante. Os irmãos serão processados por crimes de posse ilegal de arma, posse ilegal de arma de uso restrito, receptação qualificada e falsidade ideológica.


