Da Agência Lusa
Cairo – O guia supremo da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, disse ontem que os apoiadores do presidente deposto Mouhamed Mursi vão permanecer mobilizados "aos milhões" até o regresso do chefe de Estado.
"Vamos permanecer nas ruas aos milhões até trazermos em triunfo o nosso presidente eleito", disse durante uma concentração de islamitas, e pouco após o seu movimento ter desmentido a sua detenção, anunciada quinta-feira pelos serviços de segurança.
Um responsável da Irmandade, Ahmed Fahmy, já pediu aos apoiadores para não entrarem em confronto com os militares, indicando que o Exército é "uma linha vermelha que não deve ser ultrapassada", como informou em mensagem divulgada nos meios de comunicação estatal.
Dezenas de milhares de apoiantes da Irmandade Muçulmana juntaram-se hoje em vários locais do Cairo, e em outras cidades do país, em resposta aos apelos dos islamitas para protestarem contra a deposição de Mursi.
O Exército egípcio depôs e deteve na quarta-feira (3) o primeiro presidente democraticamente eleito do país, o islamita Mouhamed Mursi, há um ano no poder, após quatro dias de violentos protestos que exigiam sua demissão. Os militares suspenderam igualmente a Constituição e dissolveram o Parlamento.
Mursi foi entretanto substituído interinamente pelo presidente do Supremo Tribunal Constitucional egípcio, Adli Mansur, que prestou juramento na quinta-feira e hoje dissolveu o Parlamento, dominado pelas formações islamitas.
Emergência- Dois dias depois da destituição, pelas Forças Armadas, do então presidente do Egito Mouhamed Mursi do poder, o Exército decretou ontem estado de emergência nas regiões de Suez e do Sinai para evitar o ingresso de grupos armados. A iniciativa foi definida após ataques contra postos militares.
Há informações de ataques a um posto de controle em Al Yura, provocando a morte de um soldado e deixando dois feridos. Também houve ataques a postos em Rafah, na fronteira com a Faixa de Gaza. A passagem em Rafah está fechada temporariamente.
Depois da queda do governo de Hosni Mubarak, em 2011, a Península de Sinai tornou-se um foco de instabilidade, com ataques contra polícias e gasodutos, além de contrabando e sequestros.


