Milton Alves Júnior
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Centenas de sergipanos realizaram na tarde de ontem uma marcha pelas principais ruas e avenidas do Centro de Aracaju com o objetivo de reivindicar melhorias imediatas para os brasileiros. Aderindo à ‘Greve Geral’ do país, mais de 30 categorias de profissionais, lideradas pela Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e CTB, de forma pacífica apresentaram as pautas de reivindicação e aproveitaram a circunstância para dialogar com a população que acompanhava a passagem da mobilização. Conforme solicitado pela coordenação do movimento, lojistas e bancários fecharam as portas e alguns motoristas do transporte coletivo deixaram de circular temendo atos de vandalismo.
Contando com a participação de manifestantes de diversos municípios sergipanos, a marcha dos trabalhadores também recebeu o apoio do Movimento Não Pago, Levante Popular e do Movimento dos Sem Terra (MST). De acordo com Reginaldo Gouveia, membro da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a população cansou de ‘aceitar’ irregularidades promovidas por gestores públicos e promoveu uma caminhada histórica. "Se o povo contasse com serviços públicos de qualidade e se os trabalhadores fossem devidamente valorizados esse povo todo não estaria ocupando as ruas em busca de progresso. Chega de impunidade! O brasileiro acordou e está unido para acabar com a exploração do trabalhador e valorização dos estrangeiros", disse.
Diante da mobilização, três equipes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) foram acionadas para tentar regularizar o fluxo de veículos nas avenidas Ivo do Prado, Barão de Maruim, Pedro Calazans e rua Propriá. Acompanhando de longe, agentes da Guarda Municipal protegiam o espaço público, e do alto a manifestação era fiscalizada pelo Grupamento Tático Aéreo da Polícia Militar do Estado de Sergipe.
Para a professora Sônia Medeiros, a nação passa por um momento singular e as pessoas devem permanecer pleiteando soluções para os problemas. "Percebo que muitos já deixaram as ruas e não mais protestam. É nítido que o povo recuou, mas isso não deve acontecer. Por um Brasil mais descente, devemos permanecer reivindicando nossos direitos".
Tarifa – Apesar do Tribunal de Justiça ter declarado a revogação da Lei Municipal que reajustou a tarifa do transporte público em 8,8% no início de junho, e 4,4% no final do mesmo mês, parte dos manifestantes dizem continuar fortalecendo o movimento a fim de exigir a redução da passagem de R$ 2,25, para R$ 1,92. "O que me deixa esperançosa é que o Tribunal de Contas exigiu a planilha de valores recentemente apresentada pela SMTT para averiguar se existe ou não irregularidades. Economistas do ‘Não Pago’ apresentaram um balanço que mostra essas falcatruas. Confio no trabalho do professor Sérgio", afirmou a estudante universitária Renata de Souza Nunes.
Na manhã de ontem o procurador Geral de Contas do TCE, Sérgio Monte Alegre, citado por Renata, informou que a Prefeitura de Aracaju tem 15 dias para apresentar o documento solicitado. Dispostos a manter o movimento ativo até que o valor da passagem seja novamente reduzido, a direção do movimento ‘Não Pago’ garantiu que no próximo sábado, 13, uma nova assembleia será realizada em Aracaju. O encontro será no período da tarde nas escadarias do Teatro Tobias Barreto.
Segundo o arquiteto Ivan Sant’Anna, os manifestantes devem aprender com as ações promovidas anualmente pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Sergipe (Sintese). "Eles agem com sabedoria e na maioria das vezes saem do pleito com sucesso. Espero que o nosso movimento continue vivo e persistente. Travar um diálogo com o prefeito João Alves Filho (DEM) está cada vez mais difícil e necessitamos enfrentá-lo se quisermos conquistar benefícios para os aracajuanos", afirmou.
Durante aproximadamente três horas de mobilização, apenas uma ocorrência foi registrada. Segundo alguns líderes sindicais, um meliante portando uma faca foi detido por uma equipe da Rádio Patrulha após tentar praticar furtos nos próprios manifestantes.


