Cândida Oliveira
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Pontes e rodovias fechadas, manifestação na porta da sede da Prefeitura de Aracaju e da Petrobras, realizada por movimentos sociais. Foi assim que o dia começou ontem, 11, na capital sergipana.
Com faixas e cartazes, os petroleiros marcaram presença na sede da empresa na rua Acre, no bairro Siqueira Campos, e no Tecarmo, no bairro Aruana. Os manifestantes possuem uma extensa pauta de reivindicação, a grande maioria demandas trabalhistas. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Petróleo AL/SE, Clarkson Araújo, "a categoria pede reajuste com benefício para os aposentados, a desaposentadoria, entre outras coisas. Inclusive acreditamos que os trabalhadores vão barrar o leilão do petróleo".
O Movimento Não Pago também estava junto aos petroleiros reivindicando melhorias para o transporte público e comemorando a determinação da juíza Simone Fraga em cancelar o reajuste da tarifa do ônibus em Aracaju. "A luta continua, queremos uma investigação do que está acontecendo no transporte público e propomos que a Prefeitura de Aracaju tome a administração das empresas que estão falindo. É importante agregar no passe livre para o estudante e o trabalhador desempregado e debater a qualidade do transporte coletivo em Aracaju", ressaltou um dos integrantes do Movimento Não Pago, Demétrio Varjão.
Quem também começou cedo o ato de manifestação foram as famílias despejadas do bairro 17 de Março, zona Sul de Aracaju, este ano. Atualmente, as 360 famílias estão em barracos – favela Novo Amanhecer – numa praça do conjunto Costa Nova, na Aruana, sem condições mínimas de sobrevivência, como água, energia elétrica, atendimento médico e escolas para as crianças. As famílias reivindicam que a Prefeitura libere o auxílio moradia para elas.
Os manifestantes saíram em caminhada da Petrobras até a Prefeitura de Aracaju, onde queimaram um boneco que representava o prefeito João Alves Filho.
Vias – Alguns manifestantes fecharam vias da capital sergipana. Na avenida Tancredo Neves, próximo à Faculdade Pio X, pneus foram queimados, o que resultou no bloqueio da via. Em pouco tempo a avenida foi desbloqueada graças à ação dos agentes de trânsito. Nas proximidades da invasão Largo da Aparecida, zona Oeste de Aracaju, os manifestantes levantaram uma barricada e impediram o tráfego nos dois sentidos da avenida. Para evitar que algum motorista tentasse furar o bloqueio, os manifestantes atearam fogo em galhos de árvores.
A ponte Construtor João Alves, que liga Aracaju a Barra dos Coqueiros ficou interditada de 8h as 9h30. Manifestantes atearam fogo em pneus e bloquearam a via. Resultado, uma fila de carros se formou. Muitos motoristas não esperaram a liberação da pista e voltaram pela contramão. O protesto foi liderado pelo Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu), Movimento Sem Casa (MSC) e o Movimento Sem Terra (MST). Entre as reivindicações, reforma agrária e moradia popular.
Uma das líderes do Motu, Dalva da Graça, contou que a ponte foi escolhida porque é um símbolo da especulação imobiliária e o povo deve ter acesso a morar no local. "Mas há outras reivindicações como reforma política, transporte de qualidade e da moradia popular. Também apoiamos o plebiscito".


