Milton Alves Júnior
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Desde a madrugada de ontem os usuários do sistema de transporte público em Aracaju estão pagando R$ 2,35 pela passagem da tarifa. Após serem notificadas oficialmente quanto a decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), na pessoa do juiz convocado João Hora Neto, que derrubou a liminar acatada pela juíza Simone Fraga, as empresas de ônibus que realizam o serviço alteraram a tarifa e provocaram insatisfação aos usuários. Há uma semana, dezenas de aracajuanos foram à sede do TJ para pressionar o meritíssimo a não derrubar a liminar que reduziu a tarifa para R$ 2,25. Apesar do pedido feito pelos aracajuanos, João Hora garantiu que houve transparência na fixação da tarifa e o reajuste obedeceu a todos os requisitos legais.
Como a mudança no valor ocorreu a partir das 0h de ontem, alguns aracajuanos reclamaram de uma possível falta de comunicação por parte do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp). De acordo com a vendedora Lilian Alves, alguns juristas estão trabalhando a favor dos interesses dos empresários e contra as reivindicações pleiteadas por mais de cem mil passageiros. "Na tarde de sexta-feira eu fui trabalhar e paguei R$ 2,25, quando saí do serviço, por volta das 0h30, eu e algumas colegas ficamos surpresas com o aumento. Nenhum representante falou nada, nenhum esclarecimento.
Infelizmente em Aracaju o povo não tem vez", disse a comerciante que trabalha em um shopping da cidade.
Entre as principais queixas dos passageiros está a falta de segurança nos terminais e abrigos, precariedade dos veículos, baixa frota, desqualificação de alguns motoristas e cobradores, além da falta de pontualidade das linhas. Segundo a diarista Maria Eliane da Silva, caso a tarifa custasse R$ 2,50, por exemplo, e o serviço prestado fosse de excelente qualidade, os aracajuanos não iriam se importar em pagar mais caro. "Ninguém iria se importar. Estamos carentes de um serviço público de qualidade e isso ninguém encontra em Sergipe. Saúde é um problema, segurança ‘anda mal das pernas’, e o transporte é atualmente o nosso maior e pior calcanhar de Aquiles", afirmou.
Há três meses, o aumento da passagem é uma das principais reclamações da população. Após dois anos sem reajuste na gestão do ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), assim que assumiu o mandato de chefe do executivo municipal, o atual prefeito, João Alves Filho (DEM), em menos de três meses já havia articulado a base aliada na Câmara de Vereadores para definir a porcentagem de reajuste que seria atribuído ao preço da passagem. Para o economista Demétrio Varjão, um dos representantes do Movimento ‘Não Pago’, desde o mês de abril estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), estão reunidos reivindicando o não reajuste da tarifa, e sim a redução para R$ 1,92.
"Já tentamos por diversas vezes convencer os vereadores a não aprovarem a Lei Municipal que resultou nesse reajuste, fomos impedidos de entrar na Casa, recebemos spray de pimenta quando estávamos realizando uma manifestação pacífica, mas nada disso resultou em benefício", lamentou. Ainda em entrevista ao JORNAL DO DIA, Varjão ressaltou a importância em manter os populares na rua reivindicando direitos constitucionais. Apesar do Brasil ser um país democrático, ele lamenta da falta de diálogo entre os gestores públicos e os populares. "Democracia? Parece que essa ordem só realmente serve em tempos de eleição. Morar em um país onde os empresários ditam o que os políticos devem fazer está cada vez mais difícil".
Na última quinta-feira, 25, João se reuniu com líderes dos movimentos sociais e advogados , afim de entrar em um acordo coletivo. Apesar da tentativa, as mobilizações vão continuar até que o valor da passagem seja devidamente reduzido. Pressionando parcialmente a prefeitura, o Superintendente do Setransp, José Carlos Amâncio, disse que apenas o reajuste na tarifa não vai render vastos benefícios para os passageiros. "O Setransp, entretanto, ressalta que não é somente reajustando a tarifa de ônibus que o equilíbrio do setor pode votar a normalidade, é preciso investimento público, subsidiando as gratuidades e desonerando, ou ao menos a reduzindo, os impostos estaduais e municipais, como foi feito pelo governo federal após período de grandes manifestações", comentou.
"Se o próprio superintendente do Setransp diz que vai necessitar do apoio da prefeitura pra melhorar esse serviço, o que nós temos a dizer? Essa semana foi marcada por esse tipo de comentário que deixa todos aflitos", lamentou o técnico em informática, Rodrigo Mello. Conforme informações apresentadas pelos movimentos ‘Não Pago’ e ‘Levante Popular da Juventude’, até a próxima quarta-feira, 31, mais um ato representativo será organizado. Local e horário serão divulgados através das redes sociais.


