Milton Alves Júnior
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Após a morte da ajudante de cozinha Danielle Bispo Santos, esfaqueada dentro do Restaurante Universitário (Resun), a Reitoria da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e setores da área de segurança estudam alternativas que garantam a integridade física e psicológica dos acadêmicos e profissionais que trabalham na instituição. Ontem, o reitor Ângelo Roberto Antoniolli convocou uma reunião com todos os pró-reitores, o prefeito do Campus do Rosa Elze, diretores de Centros e dos campi de Lagarto, Itabaiana e Laranjeiras.
Ao final, ele citou que "foram tomadas muitas decisões". Entre as de curto prazo, estão o aumento do contingente de vigilantes, da vigilância motorizada e da iluminação das vias de acesso e circulação no campus. Também será feita uma campanha na comunidade interna para orientar sobre hábitos que possam aumentar a segurança individual. "As demais, de médio e longo prazo, serão posteriormente discutidas ouvindo todos os segmentos da comunidade acadêmica, professores, alunos, e técnico-administrativos, bem como os sindicatos que representam essas categorias", assegurou o reitor.
Apesar das promessas, ex-alunos e atuais acadêmicos garantem que o problema na segurança dentro da universidade é antigo e está longe de ser solucionado. De acordo com o estudante Luís Daniel, que preferiu não citar o curso que estuda, a omissão cotidiana da administração da UFS contribui para vários crimes ocorridos no campus. "Aqui sempre tem casos de roubos de celular, carteiras e bolsas das mulheres, mas nada disso é veiculado na imprensa porque não acontece todo dia e se trata de um problema antigo. Espero que essa promessa de melhoria realmente saia do papel e beneficie a comunidade acadêmica", disse.
Outro aspecto negativo apontado por Renata Alves, colega de curso de Daniel, está no uso livre de drogas dentro do campus. Para ela, estereótipos que envolvem os estudantes da UFS procedem parcialmente com a realidade e muitos que não concordam com a prática ‘entraram em uma zona de conforto’ e preferem não denunciar o caso à polícia. "Quem em Aracaju nunca ouviu falar que muitos estudantes da UFS têm ampla qualificação estudantil/profissional, mas são maconheiros e só querem saber de cuidar de gatos? Sou afiada nos meus comentários porque a realidade não é muito distante do que o povo fala. Maconha aqui é mais usada que caderno e caneta", denunciou.
O professor ‘Carlos Eduardo’ (nome fictício) ressaltou outro fato: há pouco mais de dois meses uma foto foi publicada nas redes sociais, na qual exibia uma placa instalada nas proximidades de uma das didáticas com a seguinte frase: ‘É proibida a prática de sexo e uso de drogas nesse espaço’. Para o educador, nenhum gestor vai dizer ter conhecimento do caso, mas, no final da década de 1990, uma situação semelhante intrigou também os estudantes. "Não vi essa mensagem pessoalmente, mas pude ver a foto. Parecia uma placa bem amadora e parecida com uma instalada em 97. Isso quer dizer que antes da instalação da placa o uso de maconha, cocaína e sexo eram permitidos?", afirmou.
Para deixar a ocorrência dessa semana ainda mais polêmica, os vigilantes da UFS reclamam da falta de condições de trabalho e baixa remuneração salarial. A categoria quer o pagamento de 30% de adicional de periculosidade em cima do salário base que é de R$ 678, mais R$ 300 de ticket alimentação.
Aproximadamente 80 agentes de segurança trabalham diariamente na UFS. O pleito dos servidores chegou a ser protocolado no Ministério Público. "Desde o mês de junho poucas melhorias foram feitas. Na realidade, apenas o atraso salarial foi repassado, mas ainda não houve aumento. Condições de trabalho então, esse desejo nosso continua sem nenhuma mudança. Já vi gente fumando e repassando maconha e transando, mas o que eu vou fazer?", declarou um fiscal que preferiu não se identificar.

