Milton Alves Júnior
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Sem local para se abrigar, mendigos, limpadores de para-brisas e malabaristas voltaram a ocupar de forma mais constantes pontes, viadutos e coberturas de estabelecimentos comerciais em diversos pontos de Aracaju. Muitas vezes naturais de municípios sergipanos, e até de estados vizinhos como Bahia, Alagoas e Pernambuco, os sem-teto decidiram se mudar para a capital sergipana na expectativa de melhorar a vida. Por se tratar de uma capital em amplo desenvolvimento social e trabalhista, a cada dia as ruas aparentam estarem mais repletas de moradores e a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria de Assistência Social, é a principal responsável por conceder apoio às famílias.
Alegando não possuir nenhuma assistência por parte da administração municipal, muitos estão equipando espaços públicos com fogões a lenha e até sofá. Esse é o caso de Ancelmo Gomes, baiano natural de Feira de Santana, que ainda criança aprendeu a fazer malabares e hoje com 28 anos, vive de esmolas. "Não temos um cantinho coberto para se proteger do frio, nem temos oportunidades de emprego. Roubar eu não vou, então, enquanto as coisas não mudam para melhor, eu vou levando a vida com a ajuda que os motoristas vão me dando", declarou. Segundo contabilidade do baiano, em média tira RS 25 por dia.
Com o dinheiro, que por mês chega a até R$ 750, Ancelmo diz que não dá para alugar um quarto e utiliza apenas para aquisição de alimento e cobertores. Em parceria com outros malabaristas, foi comprado um fogão de lenha, o qual é utilizado para o preparo de refeições. "Um quartinho que seja aqui em Aracaju não custa menos de R$ 400 perto de onde trabalho. Como vou me virar para se alimentar e me transportar com pouco mais de 300? O jeito é morar na rua mesmo e esperar o dia que a prefeitura nos bote em um abrigo ou casa popular", afirmou. Sem nenhum levantamento populacional, a prefeitura não tem noção de quantas pessoas moram nas ruas.
Apesar das exceções, a exemplo de Ancelmo, um estudo realizado no ano de 2010 mostra que 90% deles possuem moradia própria, familiares na capital sergipana e até recebem benefícios por parte do Governo Federal. Diante dos registros feitos nos últimos dez anos, a perspectiva é que esse número de pedintes seja ampliado até janeiro de 2014 devido às proximidades das festas de final de ano. Para o morador Pedro Antônio, o alcoolismo e uso de drogas fez com que os próprios familiares o expulsassem de casa. "Não consigo parar de beber, isso fez com que meu próprio irmão me tirasse de casa. O difícil de viver na rua é não ter o que comer, tomar chuva nas madrugadas e correr o risco de apanhar de riquinhos", disse.
Ocorrência – Há duas semana moradores de rua foram baleados por pessoas ainda desconhecidas. Segundo informações da Polícia Militar, dois mendigos estavam dormindo no Centro de Aracaju quando dois homens em uma moto de cor preta efetuaram os disparos. Com o apoio de populares que presenciaram a cena, as vítimas foram levadas pelo Samu – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – para o Huse – Hospital de Urgência de Sergipe. Assim como os moradores da invasão no bairro 17 de Março, a expectativa por parte da prefeitura é que os moradores de rua também sejam cadastrados e futuramente possam ser contemplados com casas populares, ou passem a receber auxílio moradia.


