O julgamento do médico ortopedista Sérgio Cavalcanti Menezes de Melo, acusado de ter assassinado a costureira Leonice Maria da Silva no dia 6 de novembro de 2004, que entrou ontem em seu segundo dia e acontece no Fórum Desembargador Artur de Oliveira Déda, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), foi interrompido por volta das 15h. O juiz Alício de Oliveira Rocha Júnior, da 2ª Vara Criminal de Socorro, suspendeu a sessão depois que o advogado Carlos Alberto Menezes, um dos responsáveis pela defesa do réu, sofreu um mal-estar e foi internado às pressas ao Hospital São Lucas, no São José (zona sul).
Até o fechamento desta edição, Menezes permanecia internado e a causa do problema de saúde não havia sido informada. Mesmo assim, o juiz manteve a previsão de retomada do julgamento, o que deve acontecer às 8h30 de hoje. Ainda restam ser ouvidas quatro testemunhas indicadas pela banca de defesa, além do interrogatório do réu e do debate entre defesa e acusação.
O segundo dia de julgamento começou às 9h30 e, até o mal-estar sofrido pelo advogado, já tinha ouvido sete testemunhas, incluindo uma amiga de Leonice, a qual confirmou que, por estar grávida na época, confirmou ter cedido material de urina para que a vítima fizesse o exame e o apresentasse como verdadeiro. A costureira mantinha um caso extraconjugal com Sérgio e, de acordo com a defesa, alegou que estava grávida para pressioná-lo a terminar seu casamento e assumir o romance. Mais tarde, os exames realizados no cadáver desmentiram a gravidez, o que reforça os argumentos dos advogados do médico em defesa da tese de que ela cometeu suicídio.
A morte aconteceu na noite do dia 6 de novembro, quando Sérgio e Leonice se encontraram no bairro Siqueira Campos e depois seguiram para um motel na BR-235, onde teria acontecido uma discussão violenta. O corpo dela foi achado um dia depois, em uma estrada de terra entre as cidades de Maruim e Santo Amaro das Brotas. A Polícia Civil e o Ministério Público sustentam que a costureira foi espancada dentro do motel e, depois de morta, abandonada na estrada. No entanto, um funcionário do motel também foi interrogado ontem e disse não ter visto nada de anormal ou estranho quando o casal esteve por lá.
Sérgio Cavalcanti chegou a ficar preso por três meses, entre novembro de 2004 e fevereiro de 2005, quando foi beneficiado por um habeas-corpus que lhe deu o direito de responder ao processo em liberdade. O médico é acusado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver, podendo ser condenado a até 40 anos de prisão.


