Comunidades limpam ruas e cobram infraestrutura

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

A terça-feira foi mais um dia de chuvas em todo o estado. Logo pela manhã, comunidades residentes em várias localidades de Aracaju ainda tinham casas alagadas em decorrência de pluviosidades da noite anterior. No bairro Santa Maria, na zona de expansão, e no Coqueiral, bairro Porto Dantas, as famílias se mobilizaram para limpar as ruas que ficaram cobertas de água e lama. Elas também cobram infraestrutura.

No bairro 17 de Março, no Santa Maria, os moradores tentaram escoar as águas das ruas e retirarem a lama das casas, que permaneceram inundadas nas primeiras horas do dia. A preocupação das famílias foi com o transbordamento de canais em decorrência das fortes chuvas. No inicio da tarde, quando o sol começou a aparecer, os moradores limparam as residências e as ruas, que estavam com bastante barro.

A situação do bairro preocupa os 10 mil habitantes da localidade, que ainda não tem rede de esgoto concluída. Na rua 19, Quadra 14, uma das áreas mais atingidas pelas chuvas, os moradores passaram até 10 horas para obstruir canais com o objetivo de facilitar a passagem da água. "O bairro é recém-criado e já está nestas condições. Quando chove, fica inundado, com as ruas intransitáveis. Um sofrimento para quem vive aqui. Na 2ª etapa do bairro várias ruas ficaram alagadas, canais entupidos e casas inundadas e com rachaduras", descreve Adriano Araújo, presidente da Associação dos Moradores do 17 de Março.

Ele revelou que estes últimos acontecimentos envolvendo as chuvas motivaram uma reunião a ser realizada até sexta-feira entre várias comunidades do bairro Santa Maria. "Iremos discutir a preparação de um grande ato público que será realizado por 10 comunidades da região ainda este mês. Vamos reivindicar do poder público que haja a continuidade de obras de infraestrutura que estão abandonadas. Este tem sido um sério problema para os habitantes. As últimas chuvas mostraram que o bairro está sem estrutura", observa Adriano. Ele destaca que são mais de 700 casas somente no bairro 17 de Março sem a necessária infraestrutura de ruas, que precisam ser pavimentadas.

Adriano destaca ainda que a boca de lobo foi solicitada pela associação e pela comunidade para que a prefeitura colocasse a tampa na semana passada. "Esperamos mais de 3 meses pela Emurb, que colocou a tampa na semana passada na rua 2, no início da 2ª etapa do bairro. A rua recebeu uma nova camada de asfalto. Foi bom e os moradores agradecem, mas na realidade esse asfalto deveria ser colocado em umas das ruas que ainda não tem pavimentação", ressalta.

No Porto Dantas os moradores fizeram mutirão para arrastar a lama das casas que desceu dos morros próximos às residências e cobriu grande parte da área. A situação surpreendeu os habitantes do local. De acordo com Maria Lídia Santos Oliveira, há muito tempo não havia tido uma chuva tão forte como nos últimos dias.

O local, que possui sete mil pessoas, é uma das áreas consideradas de risco pela Defesa Civil. O receio de ter as casas cobertas de barro e areia mobilizou os moradores, que também procuraram escoar a água das chuvas desentupindo os bueiros. "As ruas são pavimentadas, mas é necessária uma manutenção mais eficaz de drenagem. Diante disso, fizemos um mutirão para prevenir danos maiores", disse Lídia.  

A chuva também continuou fazendo estragos em outras áreas. Ainda pela manhã, o teto de uma agência da Caixa Econômica Federal na avenida Augusto Maynard não resistiu ao temporal dos últimos dias e cedeu. O atendimento foi suspenso temporariamente. No Bugio, aulas foram suspensas em decorrência de registros de raios na região.  

Além de Sergipe, cinco estados do Nordeste foram atingidos com o temporal, que começou no último domingo, 03. Além de Aracaju, outros municípios estão sendo castigados pelas chuvas. No agreste sergipano, algumas cidades tiveram chuvas de granizo.

Trânsito – A capital sergipana iniciou a semana com um trânsito confuso. Por causa da chuva, os semáforos pararam de funcionar. Carros não conseguiram seguir pelas ruas alagadas. O teto de um posto de combustível desabou e vários canais transbordaram. Um prejuízo para os moradores que tiveram as casas invadidas pela água. Em alguns casos, a inundação chegou a 2 metros de altura e várias famílias perderam quase tudo.   

Foram menos de três horas de chuva intensa na madrugada, o suficiente para deixar a maioria das ruas de Aracaju completamente alagadas. De acordo com o Centro de Meteorologia de Sergipe, choveu três vezes mais que o esperado para todo o mês de novembro.

As chuvas, que segundo previsão meteorológica devem durar até hoje, também interferiram em serviços públicos. Na segunda-feira, no Hospital de Urgência de Sergipe, os pacientes de uma das alas foram transferidos porque parte do teto desabou.

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