Gualberto faz homenagem a Marcelo Déda

Em nome de uma amizade com mais de 30 anos e uma intensa convivência política e pessoal, o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) usou ontem a tribuna da Assembleia Legislativa para um emocionado discurso em homenagem ao governador Marcelo Déda que faleceu na madrugada da segunda-feira, 2, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, vítima de câncer gastrointestinal.

Durante cerca de 40 minutos, falou da trajetória política de Déda com conhecimento de causa, pois acompanhou de perto vários momentos citados. Segundo ele, a trajetória poderia ser dividida em capítulos, como num extenso e rico livro de histórias. "Formação de ética na política. A meu ver, esse é o maior legado dele para Sergipe e para o Brasil. Todos nós, aliados políticos ou não, podemos afirmar isso", disse. "Com suas atitudes ele nos mostrou que é possível fazer política com ética. Sem os vícios que tanto prejudicam não só a imagem do político, mas principalmente o bem estar da sociedade".

Para Gualberto, que durante seis anos liderou a bancada governista que dava sustentação à gestão de Marcelo Déda, o principal ingrediente da política praticada pelo governador falecido aos 53 anos de idade era a ética. "A herança deixada por ele não é finita, porque se trata de princípios", sustenta.

No discurso, Francisco Gualberto enfatizou muito a sensibilidade demonstrada por Déda no encaminhamento de várias questões políticas. Desde a época em que juntos organizaram o Partido dos Trabalhadores em Sergipe, nos idos de 1982, até os seus últimos dias no governo do Estado. Lembrou também de várias greves de trabalhadores de setores diversos que foram solucionadas com a ajuda de Déda enquanto advogado recém-formado pela UFS e militantes político das causas sociais.

O deputado tem orgulho de lembrar que o Sindiquímica, sindicato no qual atuava como dirigente no começo da década de 1980, foi a primeira instituição a abrir as portas para o trabalho de Déda como estagiário de Direito. "Mesmo sabendo que não teria uma remuneração adequada, ele aceitou o trabalho porque seu prazer e sua convicção era fazer a defesa de trabalhadores", garante Gualberto.
 "Déda era o homem do detalhe na sua sensibilidade. Tinha uma capacidade imensa de pensar em tudo o que poderia acontecer durante um processo, inclusive de saber confortar todos os lados envolvidos. Portanto, o conteúdo deste livro está espalhado em nossas mentes e com certeza vai nos permitir ainda muitas aprendizagens", disse, já bastante emocionado, o petista Gualberto.

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