Cândida Oliveira
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Profissionais de oito áreas da saúde que atuam nas redes públicas passaram parte da manhã de ontem em frente ao Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde), na Rua Campos, bairro São José (zona central). No local, um café da manhã foi oferecido à população. A atividade fez parte de uma paralisação convocada pelos sindicatos que representam assistentes sociais, enfermeiros, técnicos e auxiliares de laboratório, psicólogos, médicos, cirurgiões dentistas, fisioterapeutas e trabalhadores da área de saúde.
Todos eles reivindicam o reajuste salarial de 2014 e a implantação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), além de reclamar da falta de efetivo, insumos e melhores condições de trabalho. Os servidores correm contra o tempo, já que o PCCV e o reajuste salarial só podem ser implementados até o dia 8 de abril, pois, durante o período de campanha, a Lei Eleitoral impede reajustes e aprovações de planos de carreira.
Há ainda outro impedimento: após as eleições, os servidores caem na restrição da Lei de Responsabilidade Fiscal em final de mandato. "O gestor não vai poder assumir determinados compromissos para que o futuro assuma. Então, nós temos plena consciência de que é agora, ou não é mais. Esse é o momento, senão a gente posterga isso para 2016", disse a presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe (Seese), Flávia Brasileiro.
Segundo o Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed/SE), os servidores dos oito sindicatos, tentam há mais de oito anos implantar o PCCV para os estatutários. Já foram feitas diversas reuniões com vários secretários, nas quais foram elaboradas propostas e projetos juntamente com o Governo do Estado, durante o ano passado, mas nada saiu efetivamente do papel. "Paralisações e greves são realizadas desde o ano de 2007, porém, sem surtir efeito", contou o presidente do Sindimed, José Menezes.
Para o dirigente do Sindicato dos Assistentes Sociais de Sergipe (Sindasse), Anselmo Menezes, o ideal é "negociar coletivamente e assim manter o movimento unificado. Dessa forma é muito mais vantajoso para os trabalhadores", frisou.
Reunião – Às 10h, logo após o protesto, os representantes das categorias foram recebidos na Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), em audiência com o secretário João Augusto Gama. De acordo com a assessoria de comunicação do órgão, o Governo de Sergipe mantém aberto o diálogo com os sindicatos que representam os trabalhadores da saúde.
Para o secretário, a reunião representou um avanço no diálogo com tais servidores. "Decidimos montar uma agenda de trabalho com o objetivo de fechar pontos pendentes do estudo para elaboração do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimento. Nesta reunião, assim como nas anteriores, também fazemos sempre questão de tornar transparente a atual situação financeira do Estado, bem como as questões envolvendo a lei de responsabilidade fiscal", ressalta João Augusto Gama.
Na assessoria do Ipesaúde, a informação é de que o movimento não atrapalhou as consultas. "Não é um movimento contra o Ipesaúde. Alguns médicos e os odontólogos não atenderam. Mas, quem não conseguiu ser atendido, nós estamos remarcando", informou a assessoria.
Março – Durante visita ao complexo aeroportuário de Aracaju, o governador Jackson Barreto informou que já conversou com o secretário da Fazenda, Jeferson Passos sobre o PCCV dos trabalhadores nos serviços públicos. Segundo Jackson, o Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Públicos do Estado de Sergipe (Sintrase) foi comunicado de que uma que definição sobre o assunto será dada por ele em março, provavelmente após o Carnaval.


