Milton Alves Júnior
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O vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado (PSDB), se reuniu na manhã de ontem com representantes de psicólogos e assistentes sociais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), com objetivo de apresentar uma contra proposta do pleito requerido pelos trabalhadores. Por falta de tempo hábil para debater integralmente todos os pontos esclarecidos pelos sindicalistas, uma nova reunião foi agendada para a próxima sexta-feira, com o propósito de solucionar os impasses e inviabilizar a decretação de uma greve por tempo indeterminado. Independente de Machado ter se mostrado interessado em atender a demanda dos servidores, as categorias não descartam a possibilidade de uma greve geral com início ainda essa semana.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Assistentes Sociais de Sergipe (Sindasse), Rosely Anacleto, o vice-prefeito se deslocou até o Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura, e, em entrevista a uma rádio, garantiu que vai trabalhar essa semana para poder apresentar uma contra proposta que satisfaça os manifestantes. Rosely disse acreditar nas alegações de Machado, mas que espera fatos concretos. "Na conversa, ele aparentou realmente não ter conhecimento do problema, porque achou que esse desrespeito com os trabalhadores nem existia mais. Sendo assim, decidimos continuar trabalhando e voltar a se encontrar com ele no fim dessa semana. Por enquanto a assistência permanece normalizada", declarou.
As duas categorias reivindicam a regulamentação imediata da lei 12.317/10, que estabelece jornada semanal de 30h. No ano de 2011, o então prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) aplicou a lei apenas para os assistentes sociais da Secretaria de Assistência Social, excluindo os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) – e a regra ainda é mantida pelo atual prefeito João Alves Filho (DEM).
Os manifestantes exigem também uma lotação definitiva de assistente social para cada duas Equipes de Saúde da Família, seguindo a mesma proporção da odontologia e cumprindo as deliberações das três últimas Conferências Municipais de Saúde. É pedida ainda a incorporação integral da totalidade das gratificações, conforme modelo já adotado com os trabalhadores médicos.
Ao JORNAL DO DIA, a presidente enalteceu a importância de a PMA entrar em acordo com os trabalhadores, pois, caso a paralisação seja aprovada pela maioria dos servidores, a perspectiva é de que mais de 60 mil sergipanos beneficiados pelo programa social Bolsa Família, do Governo Federal, sejam prejudicadas com a interrupção temporária do repasse financeiro. Segundo ela, essa interrupção é possível por uma serie de determinações do próprio Ministério da Saúde. "Para que eles possam ser agraciados com esse programa, devem estar em dias com compromissos com a área de saúde, a exemplo das vacinas e pré-natal. Quem realiza esse documento e enviamos para o MS somos nós. De greve, nada disso será realizado", pontuou.
Já o Sindicato dos Psicólogos do Estado de Sergipe informou que a medida adotada pelos assistentes sociais também será desenvolvida pelos profissionais de psicologia. Após a reunião com o vice-prefeito, os sindicalistas voltam a participar de uma assembleia extraordinária na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Aracaju, para discutir as possíveis contra propostas apresentadas pela PMA e se deflagram, ou não, a greve.


