Os quase 20 mil servidores públicos estaduais tratados como Raia Miúda pelos governantes, segundo os integrantes do Sindicato que representa a categoria, terão agora um alento. Nesta sexta-feira, dia 28, o governador Jackson Barreto enviou à Assembleia Legislativa o tão esperado Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos que vinha sendo discutido há sete anos nos bastidores do palácio governamental.
Satisfeito com essa etapa cumprida, Waldir Rodrigues Lima, um dos coordenadores do Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Público do Estado de Sergipe (Sintrase), disse ao Jornal do Dia que o plano representa apenas um começo. "Não é o PCCV que merecemos ainda! Mas com certeza é um novo começo de uma nova historia", garante o sindicalista.
O referido plano deve começar a tramitar no parlamento estadual já na segunda-feira, dia 31, considerando que o prazo final para sua aprovação será na sexta-feira, 4 de abril. "Essa conquista não veio gratuitamente, não é o governo que está nos dando esse PCCV, ele é fruto do nosso esforço e da compreensão politica do governador Jackson Barreto. Portanto, não trabalhamos com essa hipótese (de não ser aprovado), mesmo porque acreditamos no bom senso dos nossos parlamentares", confere Waldir.
O sindicalista fala também, com certo pesar, da mágoa dos servidores com o ex-governador Marcelo Déda. "Mesmo após a sua morte, ainda não foi dissipada. Espero que a implantação do PCCV diminua muito essa mágoa, porque tenho certeza que vai ser muito difícil esquecer", garante o sindicalista. Leia na íntegra a entrevista:
JORNAL DO DIA – O que de fato é positivo para o servidor estadual nesse Plano de Cargos e Salários que vem sendo discutido desde a gestão de Marcelo Déda e que somente agora chega à Assembleia Legislativa?
Waldir Rodrigues – O fator positivo é tirar da estagnação financeira e profissional quase 20 mil servidores que ao longo dos últimos 30 anos foram mal tratados e excluídos de todo processo referente a Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos, onde por incrível que pareça tanto faz ter nível fundamental como superior, a diferença no salario base é menos de R$ 100,00, enquanto nesse meio tempo outras categorias foram muito beneficiadas chegando ao cúmulo de alguns servidores ganharem status de nível superior sem ter ao menos o nível médio. Não é o PCCV que merecemos ainda! Mas com certeza é um novo começo de uma nova historia.
JD – Quais foram/são os principais entraves para justificar tanta demora na elaboração do plano?
WR – Falta de debate respeitoso com os representantes dos milhares de servidores, se não vejamos: contrataram uma empresa francesa para elaborar o PCCV e a dita cuja produziu toneladas de documentos tão burocráticos quanto assustadores, e o pior, fez isso sem nos ouvir. Depois criaram uma comissão composta pelo núcleo duro do poder, os únicos com acesso direto ao governador, mesmo assim foi um fiasco monumental. Os caras não levaram os trabalhos a sério. Por fim, foi criada uma comissão só com os técnicos do governo e os representantes do Sintrase, graças a Deus os medalhões ficaram de fora e deu tudo certo, os trabalhos avançaram bastante. Só que o resultado foi direto para a gaveta do secretário e só saiu depois de 35 dias de greve por determinação do governador Jackson Barreto, quando finalmente chegamos a um acordo.
JD – Os servidores, representados pelo sindicato, tiveram voz ativa na composição do plano?
WR – Os servidores participaram ativamente da construção. Nesses últimos sete anos foram inúmeras greves, paralisações, manifestações, assembleias e seminários. O plano por diversas vezes fora apresentado à categoria que nos ajudou na construção. Costumo dizer que no Sintrase, ao contrário de outros sindicatos, o jogo é às claras. Uma prova disso é a comissão de servidores que fora criada no passado e que surtiu em bons frutos para o trabalho, inclusive com a anexação de alguns desses membros a atual direção.
JD – Além de salários, o que mais importa para que os servidores sintam-se contemplados pelo plano do governo?
WR – Os avanços por tempo de serviço, graduação, cursos outros oferecidos pelo governo, periculosidade para os vigilantes em efetivo exercício e a garantia das incorporações das diversas gratificações congeladas e outras que nem vão para aposentadoria.
JD – Caso não seja aprovado pela Assembleia Legislativa a tempo de ser implantado ainda este ano, quais serão as consequências para os servidores?
WR – Uma catástrofe, visto que essa conquista não veio gratuitamente, não é o governo que está nos dando esse PCCV, ele é fruto do nosso esforço e da compreensão politica do governador Jackson Barreto. Portanto, não trabalhamos com essa hipótese, mesmo porque acreditamos no bom senso dos nossos parlamentares.
JD – Existe diferença de tratamento com o servidor em relação à equipe que assessorava Marcelo Déda e a que assessora Jackson Barreto?
WR – Da água que só boi com muita sede bebe, para o melhor vinho que existir no mundo.
JD – Qual a perspectiva dos servidores sindicalizados em relação às eleições deste ano? Há muita gente satisfeita (ou não) com a gestão do atual governo?
WR – Já passou pela fase terrível do descrédito, tanto do governo quanto da direção do Sintrase. Hoje, apesar do bombardeio de parte da oposição, o clima é de esperança, e amanhã com a aprovação e implantação do PCCV tudo mudará pra melhor.
JD – Os servidores da base administrativa ficaram magoados com a falta de respostas no governo de Marcelo Déda? Sentiram-se enganados, já que outras categorias (PM, Policia Civil, Fisco, Defensores públicos) tiveram reajustes consideráveis?
WR – A mágoa da Raia Miúda para com o ex-governador Marcelo Déda, mesmo após a sua morte, ainda não foi dissipada. Espero que a implantação do PCCV diminua muito essa mágoa, porque tenho certeza que vai ser muito difícil esquecer, mesmo sem querer ainda sofro bastante, mas vamos dar tempo ao tempo.
JD – Caso seja aprovado até o prazo eleitoral, o Plano de Cargos e Salários atual será a redenção para os servidores públicos estaduais? Ou as negociações em relação às reivindicações terão continuidade?
WR – Não, o ser humano por sua concepção nunca está satisfeito. Prova disso foram as categorias muito beneficiadas por esse governo, mas que a cada dia busca sempre mais, nunca se contenta com o que tem nem com o que os outros não tem. O plano é o preâmbulo, a luta continua, mesmo porque para chegarmos ao amanhã desejado é preciso de algumas evoluções significativas, e isso demanda muita luta. Mesmo porque Deus disse: "faça que eu te a ajudarei".


