Milton Alves Júnior
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Sem concluir 30% das promessas de campanha, o prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM), oficializou na manhã de ontem que não será candidato a governador do Estado de Sergipe durante o pleito eleitoral que será realizado no próximo mês de outubro. Apesar das intenções de voto popular indicar o democrata como favorito para o cargo executivo estadual, familiares o teriam convencido a abandonar a proposta de alguns líderes partidários e comunitários, assim como ocorreu no ano de 1986. O não progresso da saúde, educação e mobilidade urbana teria contribuído para João optar em não deixar o cargo com apenas 459 dias após o retorno à administração da capital sergipana.
Prestes a completar 73 anos de idade, em pronunciamento destinado à imprensa, secretários e assessores municipais, o prefeito informou que pretende chegar aos 100 anos com eficaz capacidade para trabalhar, e mesmo em posse de moletas, administrar Aracaju ou Sergipe. Esquivando-se dos questionamentos relacionados aos problemas que permanecem tirando o respectivo ‘sossego’, João informou que o objetivo do grupo é continuar trabalhando para o desenvolvimento de Aracaju e em seguida participar de plenárias a fim de debater as coligações deste ano.
Incomodado quando perguntado sobre a atual situação das unidades de pronto atendimento e hospitais municipais, o prefeito garantiu que até o próximo mês de dezembro a população estará melhor atendida. "Eu nunca abandono uma missão antes de concluí-la. Pedi muita iluminação divina e decidi permanecer na prefeitura para ajudar o povo de Aracaju. Vamos melhorar a saúde, transformando em uma das melhores dos últimos anos. Dessa forma posso concluir meus projetos de governo e ainda atendo a parte dos desejos dos sergipanos", declarou.
Baseando-se em dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), ele enalteceu a grande quantidade de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que possuem cadastro na capital e diariamente são atendidos. Valorizar os profissionais e ampliar as UPAs nos próximos meses pode fazer parte das tão divulgadas soluções de João Alves para Aracaju.
Enquanto as melhorias não são atribuídas, moradores da Zona de Expansão e Zona Norte se queixam de descasos. "Estamos monitorando todos esses problemas e é justamente para o nosso povo que decidi ficar à frente de Aracaju. Sabemos dos nossos compromissos e vamos honrá-los mediante a confiança que nos foi depositada em 2012", afirmou.
Criticado por variadas categorias em virtude de uma possível falta de diálogo ao longo dos últimos 15 meses, o gestor garantiu que nunca esteve indisposto para conversações, mas sim, em busca de propostas que possam satisfazer a maioria dos servidores. "Eu nunca estive fechado para dialogar nem com os enfermeiros, nem com ninguém. Se decidi seguir os conselhos dos familiares e não concorrer a vaga de governador foi porque sinto que preciso estreitar mais essas conversas com o povo e realizar mais obras", pontuou.
Mobilidade – Durante o discurso de João Alves era esperado que a mobilidade urbana fosse abordada como um dos ‘Calcanhares de Aquiles’ durante esta atual passagem administrativa pela prefeitura. Sem desapontar a expectativa do público que prestigiava a solenidade na sede da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), o democrata disse entender que os aracajuanos ainda não contam com um transporte público de qualidade, mas que o progresso no setor já seria visível aos olhos dos mais críticos. Com o apoio de José Carlos Machado, seu vice, o caminho natural a ser traçado é aquisição de novos veículos, melhoria dos terminais de integração e pontos de ônibus. "Machado é um amigo de longas datas e um vice-prefeito exemplar. Tê-lo como meu braço direito nessa jornada é uma dor de cabeça a menos", pontuou.
Independente das belas palavras dirigidas com exclusividade ao seu ‘fiel escudeiro’, logo após o anúncio do líder maior do DEM em Sergipe, o Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB) emitiu uma nota oficial na qual estaria "aberto para discutir possíveis alianças e composições no processo eleitoral deste ano", uma vez que "a priori, havia um compromisso fechado em torno da provável candidatura do prefeito João Alves Filho".
Em virtude da não saída de João, e consequente inviabilidade de Machado ser empossado prefeito de Aracaju, os tucanos garantem posicionar todos os holofotes para alianças sergipanas que apoiariam a pré-candidatura do senador Aécio Neves (MG), à presidência da República.
"Por mim era sabido que João havia desistido da candidatura a governador. Apesar de não haver nenhum impasse constitucional, decidi me afastar das atividades municipais tendo como foco alguma possível candidatura. Não quero dizer que renunciei ao cargo, apenas estou me afastando parcialmente", disse.
Questionado quanto à possibilidade de concorrer a uma das oito vagas para deputado federal, o tucano garantiu ainda não ter definido quais seriam suas estratégias. "Com essa decisão de João, posso sair candidato a deputado estadual, federal, senador, e até governador. Não decidi nada ainda. Claro, tenho ideia do que poderia ser mais viável, mas nada é concreto e, portanto, prefiro deixar subtendido", declarou.


