Polícia Civil segue em estado de greve

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Por falta de entendimento junto ao Governo do Estado de Sergipe, ficou decidido na noite de ontem que os policiais civis e servidores da Coordenadoria Geral de Perícias permanecem em estado de greve por mais quatro dias. A decisão foi adotada durante assembleia extraordinária promovida pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), na sede da Academia de Polícia, onde pouco mais de 120 pessoas decidiram aguardar até a próxima terça-feira, 29, a apresentação de uma contraproposta por parte da Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag). Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal do Dia o presidente do Sinpol, Antônio Moraes, não descartou a possibilidade de uma greve geral e por tempo indeterminado já a partir da próxima semana.

Conforme informado pelo sindicalista, a categoria havia deflagrado uma paralisação no início deste mês, mas gestores ligados à Seplag haviam garantido que até a manhã de ontem uma contraproposta que pudesse satisfazer a categoria seria devidamente apresentada pelo Governo de Sergipe, mas essa garantia foi ‘quebrada’ e houve a necessidade de uma convocação dos servidores para uma assembleia em caráter de urgência. Durante 12h seguidas de ontem, das 7h às 19h, os profissionais interromperam as atividades a fim de voltar a pressionar a administração pública quanto ao repasse da incorporação da gratificação por curso ao salário e melhores condições salariais e de trabalho. A categoria exige ainda mais respeito aos profissionais que possuem mais de 20 anos de serviço prestado.
"Por pouco nós não deflagramos a greve já a partir da noite de ontem. Em termos de porcentagem, apenas cerca de 53% dos sindicalizados decidiram esperar até terça. Para nós foi uma surpresa a secretária adjunta na reunião de ontem dizer que a proposta não ficou pronta e que só iria apresentar no início da semana que vem", declarou o presidente se referindo a Ana Cristina de Carvalho Prado. Diante da atual conjuntura, a direção do Sinpol informou que na próxima terça-feira, 29, a categoria vai promover uma nova paralisação de 12h. Já no período da tarde a categoria vai se reunir novamente em assembleia para definir o rumo do pleito.

Ainda de acordo com Antônio Moraes, por respeito às exigências da Constituição Federal, os policiais civis, agentes auxiliares, delegados, escrivães e servidores da COGERP vão à assembleia em permanente estado de greve e podem deixar as dependências da Acadepol já de ‘braços cruzados’ por tempo indeterminado. "Isso pode ocorrer caso a contraproposta da Seplag não seja novamente apresentada ou que não satisfaça aos interesses da categoria. Claro, essas propostas serão levadas a avaliação coletiva e vai depender do voto popular por parte dos servidores", pontuou o presidente. Ao todo, mais de 200 pessoas participaram da assembleia.

Entre eles estava o agente Moura, que se mostrou disposto a votar a favor da greve. "Não terei dúvidas do meu ‘sim’ caso o governo volte a desrespeitar nossas reivindicações. Estamos cansados de tantas promessas e nenhuma solução para os pleitos dos Policiais Civis. Caso a proposta não seja favorável, eu serei um dos a votar a favor da paralisação até que passemos a ser valorizados", disse. A reunião entre Sinpol e Seplag está marcada para ocorrer no período matutino. Já a assembleia está prevista para ser realizada a partir das 16h, novamente na sede da Acadepol, em Aracaju.

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