Incidente com avião da Azul coloca em cheque segurança de aeroporto

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) deu início na manhã de ontem a uma investigação para identificar o real motivo da medida paliativa adotada por um comandante da Companhia Azul, a fim de evitar uma colisão frontal com outra aeronave que possivelmente seguia na mesma rota e estava há 120 metros de distância. O registro foi oficializado na noite da última quarta-feira, 14, quando a aeronave modelo Embraer 195, voo 4101 que fazia a rota São Paulo/Aracaju/ Maceió estava prestes a decolar do Aeroporto Santa Maria. O fato foi repercutido nacionalmente após o passageiro Luciano Cabral, que estava a bordo, ter publicado um discurso de desculpas pelos transtornos proferidas pelo piloto.
Segundo informações apresentadas pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o voo possuía 90 pessoas acomodadas e já havia recebido autorização para decolagem. A aeronave chegou a percorreu 850 metros e atingia 150 km/h quando o piloto acionou o sistema de segurança e fez as turbinas alterarem a velocidade e sentido de funcionamento. Ainda se recuperando do susto, o alagoano Luciano Cabral voltou a se manifestar nas redes sociais para comentar o ocorrido. Na tarde de ontem ele homenageou o piloto e os demais comissários de bordo. Apesar dos agradecimentos, ele disse estar preocupado com a situação aérea do país e exige melhorias imediatas que possam imunizar os tripulantes.
"Hoje aqui em Alagoas dezenas de famílias estão satisfeitas com a atitude do piloto por ter adotado uma medida tão importante. A empresa também está de parabéns por contar no quadro de servidores com profissionais que sabem e estão preparados para lidar com essas situações. Sobre a estrutura dos controladores de voo, aí é algo preocupante, precisamos de mudanças logo", declarou. Conforme nota oficial emitida pela companhia aérea, após o ocorrido o avião retornou ao terminal de embarque e posteriormente passou por uma vistoria promovida pelos técnicos de manutenção e em seguida liberado para o voo. Os passageiros não chegaram a deixar o avião e ao todo a Infraero registrou um atraso de uma hora.
Após ter estacionado a aeronave com segurança, o piloto saiu da cabine de controle e foi pessoalmente conversar com os passageiros. No vídeo publicado pelo passageiro foi possível compreender o que o piloto falou, inclusive quanto a importância da presença de ‘Deus’ no momento de decisão. "A aeronave que cruzou à nossa frente estava numa condição de instrumento, a gente não via ele. Só via ele pelo nosso equipamento anticolisão. Então não dá para afirmar quem é. Deus me livre, mas a gente acertaria ele em 20 segundos depois da gente decolar. Então tive que abortar a decolagem aí…", disse. Ainda durante o discurso o piloto lamentou o caso e solicitou calma e compreensão. "É uma decisão muito rápida. Peço desculpa de novo, mas é alheio à nossa vontade", pontuou.
Também através das redes sociais, outros pilotos apontaram o aeroporto Santa Maria, em Aracaju, como um dos mais frágeis tecnologicamente do Brasil. Segundo o comandante Carlos Magalhães, durante uma recém-passagem pelo território sergipano por frações de minutos não colidiu com outro avião. "O sistema da torre de comando ou os próprios técnicos são falhos. É preciso uma investigação rápida para que nenhum acidente seja registrado. Hoje aquele aeroporto é um dos mais preocupantes do país", disse através do twitter.

Resposta – Na tarde de ontem a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que a aeronave identificada pelo radar do boeing Azul tratava-se de um helicóptero. Foi dito ainda que no momento do freio, a aeronave de menor porte trafegava pela pista do aeroporto de Aracaju, mas não cruzaria a rota de decolagem que estava sendo utilizada pela aeronave da Azul. Após um estudo prévio, técnicos da FAB garantiram que não havia condições reais para uma possível colisão. Por fim, a nota oficial apontou o único aeroporto sergipano como um dos mais seguros do Norte-Nordeste. Há três anos não é registrado nenhum caso de alerta na região. A Infraero em Sergipe preferiu não se manifestar até o momento, já a Anac afirmou que vai permanecer com as investigações.

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