Ciganos que mataram por som alto são identificados

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil divulgou ontem a identidade dos dois acusados pelo duplo assassinato ocorrido na noite do último dia 19 em uma estrada de terra no povoado Caatinga, em Aquidabã (Baixo São Francisco). O cigano Rozamir dos Santos, de idade não revelada, e o genro dele, Josuel dos Santos, 26 anos, tiveram a prisão preventiva decretada pela Comarca de Aquidabã e ainda não foram encontrados pela polícia. Eles são apontados como responsáveis pelas mortes do professor Francisco Tavares dos Santos Neto, 32, e do amigo dele, Edivaldo Lourenço Souza, 38, os quais foram baleados em uma estrada de terra na saída da cidade. No ataque, também saiu ferido um amigo das vítimas, cujo nome é mantido em sigilo.

Josuel e Rozamir foram identificados por policiais da Delegacia de Aquidabã e reconhecidos pelo sobrevivente, em depoimento tomado quando ele ainda estava internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju. Segundo o delegado Fábio Santana, os dois homens estavam na cidade há pelo menos 35 dias e um deles, Rozamir, responde em liberdade por um segundo assassinato, cometido em 14 de fevereiro deste ano na cidade de Penedo (AL). O carro dos suspeitos, um Chevrolet Cruze, cor branca, foi apreendido pela polícia e, segundo levantamentos, pertence à mãe de um dos acusados.
O delegado confirmou aos jornalistas que as mortes de Edivaldo e Francisco foram causadas por uma briga causada pelo cigano, em um bar do centro de Aquidabã, próximo à paróquia local, por causa de uma disputa pelo volume do som de seus carros. Segundo a polícia, Josuel e Rozamir estavam no bar desde às 17h do dia do crime, com o som da mala do Cruze ligado. Os três amigos chegaram duas horas depois, dirigindo um VW Crossfox e também com o sol ligado, mas com o volume mais alto. "Começou ali uma disputa de som entre eles. O Josuel se dirigiu às vitimas em um tom grosseiro, pedindo para que baixassem o som. Mais tarde, as vítimas se sentiram intimidadas com a atitude do Josuel e saíram do bar", disse Fábio.
Ainda segundo o delegado, o cigano e seu genro esperaram durante cinco minutos e, sem pagar a conta, saíram do bar à procura das vítimas, as quais tinham ido ao bar de Caatinga. "Os autores do crime foram ao encalço deles, ficaram observando a movimentação das vítimas, e, no retorno do povoado, os autores deram um sinal de luz e emparelharam o carro deles [cruze] com o das vítimas [Crossfox]. Quando aconteceu esse emparelhamento, eles começaram a atirar, executando as duas vítimas e ferindo o sobrevivente com três disparos", relata Santana. Francisco e Edivaldo morreram na hora, nos bancos da frente e atingidos na altura do peito e da cabeça. Já o terceiro homem, sentado atrás, foi ferido nos braços e está fora de perigo.

As investigações apontaram que Josuel foi o autor dos disparos, enquanto Rozamir dirigia o carro. De acordo com Santana, o rapaz exibiu a arma ao mandar que os três rapazes baixassem o som do carro, mas chegou a apertar a mão de uma delas, em sinal de "entendimento". "Dissimulou, agiu de forma dissimulada, querendo mostrar que estava tudo apaziguado, mas na verdade, e mais à frente, eles armaram uma emboscada e executaram as vítimas", apontou o delegado, explicando ainda que Josuel não é cigano, mas passou a conviver com eles por ser casado com a filha de Rozemir. Após o crime, o grupo de ciganos ligado aos acusados saiu de Aquidabã, com destino ignorado.
Os dois acusados serão indiciados por duplo homicídio qualificado por motivo fútil e uma tentativa de homicídio. Qualquer informação sobre o paradeiro de Josuel e Rozamir podem ser repassadas, anonimamente, para o Disque-Denúncia 181. A ligação é gratuita e não precisa se identificar.

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