Plano Real completa 20 anos com avanços

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Os 20 anos de existência do Plano Real completados ontem são comemorados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) como um período de muitos avanços para a sociedade brasileira.  

Adotada em 1º de julho de 1994 pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, a medida foi criada com o objetivo de valorizar a moeda e conter os altos índices de uma hiperinflação que já durava 15 anos no país.

Na avaliação do economista Luiz Moura, do Dieese em Sergipe, o Real representa avanços e conquistas para o povo brasileiro. "É o melhor plano econômico de combate à inflação na história do país", define.
Com a moeda, o Brasil teve a hiperinflação extinta na década de 1990. Moura destaca que nunca houve tanto congelamento de preços. "Mesmo tendo inflação neste período, a moeda Real continua forte. O cidadão aumentou o seu poder de compra. Com um Real é possível comprar uma série de coisas, o que anteriormente não acontecia. Outro fato marcante é que passados 20 anos, conquistamos uma coisa que não existia antes: uma nova geração de brasileiros que não conhecem a inflação", ressalta.

Moura lembra ainda que o Plano Real tem outro principal mérito, pois está ligado a conquistas junto aos trabalhadores que durante o grande período inflacionário tiveram perdas salariais no início da aplicação da medida. "Com o Plano Real, a classe trabalhadora passou a ter seus salários reajustados pela moeda. Até 1998, durante um prazo de quatro anos foi valorizada artificialmente, chegando a valer mais que o dólar, o que acabou fragilizando a indústria", lembra. O economista enfatiza que tanto é assim que em janeiro de 1990 a moeda foi desvalorizada, passando a valer R$ 2,00, com uma situação insuportável.

Moura também salienta que apesar de muitos avanços, o Plano Real continua enfrentando grandes desafios. "O principal deles é manter os preços estáveis em casos de aumento, mas o plano é uma grande conquista do povo brasileiro modificando o comportamento do consumidor, avanços trabalhistas", aponta. Moura ressalta também que mesmo com tantas mudanças, os brasileiros ainda mantêm algumas práticas de compra como a que é realizada a prazo. Ele lembra que o controle da inflação precisa ser contínuo. Por outro lado, o economista chama a atenção de que o plano fez com que as pessoas adotassem uma postura mais criteriosa de consumo, pesquisando preços, adquirindo produtos em menor quantidade, por exemplo.

Cenário atual – Nos anos que antecederam o plano, as variações mensais de inflação chegavam até a 82,39% segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como comparação, até maio, o índice acumulado do ano está em 3,33% e, no mês, a variação ficou em 0,60% segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A inflação oficial encerrou 2013 em 5,91%.
De acordo com o IPCA, a inflação oficial acumulada de julho de 1994 até maio deste ano (último dado disponível) chega a 359,89%. Uma nota de R$ 100 hoje compra apenas o equivalente ao que R$ 21,75 comprariam há duas décadas.

De 1994 até hoje, o índice acumula 359,8%. Apesar de o número assustar, esse percentual era facilmente alcançado em três meses, conforme os meses de janeiro (67,55%), fevereiro (75,73%) e março (82,39%) de 1990. Em um ano, acumulava 2.400%.
O fim do processo inflacionário significou uma grande economia no bolso dos brasileiros. O Plano Real significou um retorno financeiro de R$ 31 bilhões para o País, com correção corresponde a R$ 120 bilhões hoje em dia.

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