Jogos da Copa mexem com a emoção e podem causar tragédias

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Emoção e adrenalina antes e durante as partidas de futebol nesta Copa do Mundo FIFA têm causado transtornos psicológicos para centenas de pessoas Brasil afora, como também, registrado casos de óbito em torcedores que alcançam um alto nível de estresse e sofrem com paradas cardíacas. Na partida entre Brasil e Chile pelas oitavas de final um aposentado de 69 anos morreu após sofrer um infarto no Mineirão durante a prorrogação da partida. No dia seguinte, no confronto entre México e Holanda, membros do comitê da FIFA anunciaram a morte de outro torcedor que também teria sofrido problemas cardiológicos. Ambos chegaram a ser atendidos, mas não suportaram as fortes dores.

No Estado de Sergipe, 12 pessoas chegaram a buscar atendimento especializado no decorrer dos jogos. Preocupados com a possibilidade de novos casos, médicos cardiologistas e psicólogos garantem que os brasileiros devem realizar diariamente atividades de reflexão que possam contribuir no bem estar dos torcedores em todas as etapas dos jogos decisivos. Nos confrontos de ontem entre Alemanha e França, e Brasil e Colômbia, até às 19h a Federação Internacional de Futebol não tinha oficializado novos casos trágicos. De acordo com o cardiologista Antônio Carlos Ribeiro, assistir estes jogos em companhia de amigos e familiares pode contribuir para que esse tipo de fatalidade seja evitado.

Em entrevista concedida ao Jornal do Dia, o especialista garante que nos últimos 15 dias tem aumentado o número de pacientes a fim de realizar exames do coração e saber até que ponto podem suportar novos momentos de êxtase. "Aquele jogo foi importante para que os aracajuanos pudessem se conscientizar quanto a necessidade de passar por baterias de exame e evitar ataques cardíacos que resultem em morte, ou sustos como foi registrado na semana passada só nas unidades públicas de saúde. Felizmente os jogos de ontem foram menos apreensivos", afirmou. Considerada pelos críticos esportivos como a copa das surpresas e grandes emoções, esta edição já é recordista de prorrogações nas fases eliminatórias.

Apesar de os dados não terem contabilizados o terceiro óbito nesta competição mundial durante a partida entre franceses e alemães, duas pessoas foram atendidas com princípio de enfarto. Os casos foram registrados pelo departamento médico após o gol de cabeça marcado pelo alemão Hummels. Para Carlos Ribeiro, este tipo de situação pode ocorrer em qualquer lugar onde o brasileiro ou turista esteja assistindo a partida. "Não importa se é em uma praça esportiva ou dentro de casa. Os jogos estão mexendo com o coração e mente de todos que gostam de futebol", declarou o cardiologista que concluiu dizendo: "O que devemos fazer daqui pra frente é estar bem consigo mesmo e buscar conversar com os médicos para realizar exames periódicos".

Ansiedade, nervosismo e impaciência, são alguns dos sintomas psicológicos que, somente, a tensão pré-jogo, de Copa do Mundo, pode trazer, afetando a saúde, principalmente, dos mais fanáticos. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), entre os anos de 98 e 2010 foi diagnosticado um aumento de incidências de infartos, principalmente em dias de jogos do Brasil. Ainda segundo estatísticas apresentadas ao Jornal do Dia, neste período de etapa, tipo ‘mata-mata’, é apontado um crescimento de 16% nos casos de internação por problemas cardiovasculares relacionados aos jogos. Preocupada com a situação, a psicóloga Marcela Passos, o trabalho de fortalecimento emocional deve ser feito em conjunto.
"Todo o conjunto de torcedores deve apresentar um fator emocional estabilizado e que não possa interferir no fator psicológico do outro. Sabemos o quanto é difícil moderar a explosão de alegria ou preocupação, mas conseguindo isso posso garantir que estes infartos serão evitados com sucesso", disse. Outro fato necessário a ser enaltecido refere-se àquela pequena parcela de pessoas com problemas de coração, que não sente os efeitos negativos de um jogo de Copa do Mundo. São pessoas que sabem conviver com a doença e, por isso, não exageram na hora de torcer pelo Brasil. Eis aí a necessidade de buscar atendimento cardiológico e psicológico.
"Quando falamos isso, de buscar atendimento pode até parecer propaganda dos nossos consultórios, mas não é. Todos precisam saber quais são os imites para passar por momentos de grande ansiedade sem sofrer lesões que podem ser leves ou pesadas. Moderando o fator psicológico e cuidando bem do coração iremos todos assistir o final dessa copa surpreendente sem grandes problemas", concluiu Marcela Passos. O jogo do Brasil terminou em 2 X 1 para a seleção anfitriã e não houve registro de atendimento no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) em decorrência de infartos durante a partida. A próxima batalha da seleção canarinha será na próxima terça-feira, 08, contra a seleção da Alemanha que liquidou os franceses por 1 X 0.

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