Lojas do Centro não possuem kits contra incêndio

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Lojas do centro comercial de Aracaju continuam sem se adequar à utilização do kit contra incêndio e pânico exigido pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBM), e a vulnerabilidade de acidentes permanece no dia a dia dos comerciantes. Em 25 de outubro do ano passado a direção da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) se reuniu com o comando geral do CBM e concedeu um prazo máximo de 45 dias úteis para que os equipamentos de segurança e instalação de corredores de saída de emergência fossem viabilizados. A determinação exigia ainda a aquisição de extintores de incêndio específicos para cada tipo de produto comercializado, como também vistoria minuciosa na rede de energia. Até à tarde de ontem, poucas lojas estão respeitando a determinação.
Nos calçadões das ruas Laranjeiras e João Pessoa não é difícil encontrar estabelecimentos com amplo movimento de funcionários e populares, nos quais ainda apresentam fragilidade estrutural e reais situações de risco. Nos últimos oito meses a região central da capital registrou três grandes incêndios e mais dois princípios de sinistro. Na tentativa de forçar que os empresários se adequem em definitivo às normas de segurança e evitem outros casos de destruição causados pelo fogo, uma equipe técnica do Corpo de Bombeiros deve realizar novas vistorias nestes espaços até o final deste mês.
A direção da CDL informou que vai continuar dialogando com os lojistas e enaltecendo a importância dos kits. "Algumas vezes o prazo foi estendido para que os lojistas pudessem se programar com mais tempo e respeitar as exigências dos técnicos do Corpo de Bombeiros. Não temos informação dos nomes e quantidade de estabelecimentos que ainda constam esse déficit, mas queremos acreditar que não são muitos", disse o presidente da CDL, Samuel Schuster.
Conforme informado pela direção do CBM, caso alguma loja seja identificada sem seguir as regras previamente apresentadas pela corporação, novo alvará de funcionamento imediatamente serão aplicadas multas e o local pode ser interditado por tempo indeterminado, a depender da extensão da loja e nível de insegurança. Em caso de interdição, um novo alvará de funcionamento só deve ser concedido após nova vistoria.
"Essa mudança na realidade já deveria ter sido adotada por todos os comerciantes antes do mês de outubro do ano passado, mas isso não ocorreu. Desde então os lojistas começaram a seguir as exigências e são poucas as lojas que ainda desrespeitam", pontuou Schuster.
O último caso de grande repercussão aconteceu justamente em outubro de 2013, quando o fogo atingiu quatro lojas do Centro Comercial, na Rua Apulcro Mota. Na ocasião, um dos estabelecimentos ficou completamente destruído, dois foram parcialmente atingidos. Já este ano, após uma pane na rede de energia, o fogo destruiu mais de 60% de um restaurante instalado na Rua Santa Rosa, também no centro. As fiscalizações se estendem para os bairros: Siqueira Campos e São Conrado.

Nota – Através de nota emitida ao Jornal do Dia, a Assessoria de Comunicação do Corpo de Bombeiros informou que as vistorias seguem sendo realizadas de forma gradativa e com a participação de clientes que denunciam essas irregularidades. As datas de fiscalização não são publicadas com antecedência a fim de evitar ‘maquiagem’ na estrutura por parte dos empresários. Novas denúncias podem ser protocoladas através do 181, ou pessoalmente na sede da corporação que fica instalada na Rua Siriri.

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