Greve no refeitório do Huse pode começar hoje

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Estava previsto para hoje, 23, o início da greve na cozinha do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL).
Segundo o vice-presidente da Força Sindical, Alexandre Delmondes, a paralisação acontece se a reunião no Ministério do Trabalho não garantir os direitos trabalhistas dos 90 funcionários da empresa MS Harb. "Recebemos uma ligação da empresa MS Harb comunicando que irá entregar o contrato com a Fundação Hospitalar de Saúde, pois eles não estão aguentando ficar sem receber", contou.
Com a nova situação, a categoria decidiu não iniciar a paralisação, pois irá se reunir hoje, às 6h, no refeitório do Huse para discutir o caso e também criar uma comissão que irá ao Ministério do Trabalho para um encontro, às 9h. "Se for pago o passivo referente às horas extras dos feriados e a diferença da insalubridade que era pago em cima do salário mínimo quando deveria ser pago baseado no salário base não vamos parar", informou.

Caso a greve aconteça, acompanhantes e pacientes internados nas duas unidades de saúde podem ficar sem refeição, caso a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) não interceda. "Conversamos com a direção da empresa e a informação passada é que a Fundação deve a empresa R$ 4 milhões, por isso não há previsão de que os direitos dos trabalhadores sejam cumpridos", relatou.
Delmondes contou que como manda a lei, 30% do efetivo será mantido, mas o quantitativo só é suficiente para atender os pacientes, ou seja, acompanhantes e servidores do Huse e da Maternidade ficarão sem alimentação.

A greve foi gerada por conta de algumas reivindicações: Pagamento de insalubridade feita sobre o salário mínimo e não sobre o salário base; feriados trabalhados e não pagos desde março de 2013; implantação do Plano de Saúde; falta do fechamento do acordo coletivo 2014/2015.
O assessor de comunicação da FHS, Castilho de Jesus, disse que não existe dívida com a MS Harb e que a empresa tem obrigação de fornecer a alimentação mesmo seus funcionários paralisando as atividades. "A empresa tem contrato e precisa fazer sua parte, disso não vamos abrir mão, pois não temos nenhuma dívida com ela", assegurou.

Ele também relatou que a Fundação não tem como dar garantias aos trabalhadores. "Não temos autonomia para negociar, nem como interferir nesse caso, pois os direitos trabalhistas estão garantidos, como salário em dia. O que eles pedem, plano de saúde, entre outros, devem ser negociados com a MS", explicou.
Caso a greve de fato aconteça, Castilho garantiu que os pacientes não serão penalizados. "A Fundação não deixará de dar assistência às pessoas internadas".

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