Trabalhadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) enfrentam problemas com a implantação de controle de jornada de trabalho. A medida que iniciou em agosto vem provocando questionamentos e discussões sobre a falibilidade do sistema e as dificuldades que trará para o desenvolvimento das atividades na rotina acadêmica.
Em outubro de 2013, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra a UFS. Por via de inquérito civil público aberto para investigar o cumprimento da jornada de trabalho de um professor da universidade, alegou-se que a UFS supostamente não mantém um sistema de controle eficiente para atestar a frequência dos seus servidores. Apesar de o procedimento contra o referido professor ter sido arquivado, pois se averiguou sua inocência, a ação contra a UFS foi mantida.
A decisão final do processo foi dada pelo juiz no dia 27 de janeiro de 2014, com um prazo estabelecido para implantar o sistema. No dia 29 de julho deste ano, a reitoria da UFS manifestou que iria acatar a decisão judicial de implantação do ponto eletrônico para controle de frequência dos servidores da universidade.
"Ser professor é uma profissão que tem peculiaridades: você precisa viajar, ir pra congresso, orientar, então o sistema que eles querem implantar cria uma série de problemas na rotina acadêmica", afirmou a presidente da ADUFS, prof. Brancilene Araújo.
A implantação do ponto gera toda uma discussão sobre a infraestrutura necessária para o sistema. "O professor tem que ter computador e acesso à internet nas didáticas. Há professores que não têm condição de ter seu computador na sala de aula, e em muitos lugares do campus o wi-fi não pega. Com essas dificuldades, como esse sistema vai funcionar?", questionou o prof. Marcos Pedroso.
A ideia é que o sistema de controle será fechado nos locais externos à UFS, o que obrigaria todos os servidores a fazerem seus registros diariamente na própria universidade, levantando a questão: haverá equipamentos e suporte necessários para isso?
Outra questão levantada é a situação dos cursos de pós-graduação. São cursos que possuem calendários próprios, diferentes do da universidade, e demandam atribuição de carga horária específica no sistema. "Na UFS, a depender do curso, o professor faz orientação para 10 trabalhos de conclusão de curso. Como é que vai ser quantificado isso, em termos de horas, para colocar no sistema? Existe toda uma discussão de infraestrutura ainda sem soluções", afirmou Brancilene.
Laranjeiras – A situação da segurança em Laranjeiras foi resolvida com a presença de mais policiais e guardas municipais nas ruas, porém as aulas dos cursos de dança e teatro foram transferidas para o Campus de São Cristóvão e o Cultart respectivamente. O campus de Laranjeiras atualmente funciona até às 19h30.
De acordo com o diretor do Campus de Laranjeiras, Gilson Rambelli, não foi registrado mais nenhum episódio de assalto. "Com uma maior presença da Polícia Militar e da Guarda Municipal não tivemos mais problemas, mas como a maioria dos episódios de assaltos aconteceu no período da noite, as aulas noturnas foram transferidas".
A previsão de retorno das aulas noturnas não existe. "Enquanto o efetivo policial não aumentar, fato que só acontecerá com a formação de novos policiais, não podemos retornar com as aulas", disse Rambelli. Inclusive já existe a previsão de no próximo semestre a UFS ofertar o curso de dança diurno.


